As ações de frigoríficos brasileiros estão sob pressão na Bolsa de Valores, enfrentando um cenário desafiador após uma série de notícias negativas em um curto espaço de tempo. Entre as principais preocupações está a disseminação da bicheira (New World screwworm) nos Estados Unidos, o que levanta incertezas sobre a operação da carne bovina naquele país.

Decisão da União Europeia

Adicionalmente, a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal trouxe mais preocupação para os investidores. Apesar de analistas acreditarem que os efeitos financeiros dessas medidas sejam limitados, a sequência de eventos reacendeu o debate sobre o futuro do setor e suas ações.

Pressão sobre as ações

A Ágora Investimentos aponta que as restrições impostas pela UE aumentam a pressão sobre o setor de proteínas, o que ajuda a explicar a recente queda nas ações e o comportamento mais conservador dos investidores. Dados do mercado de aluguel de ações mostram um aumento do ceticismo, com a Minerva (BEEF3) apresentando uma das maiores taxas de aluguel, enquanto a Marfrig (MBRF3) tem um alto número de dias para cobertura de posições vendidas.

Impactos nas margens

A Genial Investimentos destaca que a perda do mercado europeu pode pressionar a variedade de produtos e reduzir as margens das empresas exportadoras. Isso pode causar um impacto mais significativo na rentabilidade das companhias do que os números de receita indicam. No entanto, há uma perspectiva de amortecimento, já que lotes inicialmente destinados à Europa estão sendo redirecionados para unidades na Argentina e Uruguai.

Perspectivas para o setor

Empresas com operações diversificadas, que conseguem realocar a produção entre diferentes países, devem se beneficiar desse novo cenário, enquanto aquelas que dependem fortemente de plantas no Brasil podem enfrentar dificuldades. O setor de aves, em particular, pode ser mais afetado por essas limitações.

Avanços e riscos

Embora a situação atual represente um risco, o prazo até setembro de 2026 e as negociações em curso entre as autoridades brasileiras e europeias diminuem a chance de uma interrupção total nas exportações. A Genial Investimentos também observa que, apesar do surto de bicheira, a JBS deve manter sua posição devido à sua diversificação geográfica e de negócios.