O Brasil está a caminho de registrar a maior safra de café de sua história, com previsões que apontam para um total de 66,7 milhões de sacas para 2026, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse número representa um aumento de 18% em relação ao ciclo anterior, superando a marca anterior de 63,08 milhões de sacas em 2020. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta ainda um volume maior, de 71,9 milhões de sacas.

Expectativas e Desafios no Campo

A expectativa otimista é corroborada por especialistas do setor. Juliano Tarabal, diretor-executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro, afirma que a região pode voltar a produzir cerca de 7 milhões de sacas, em comparação com a média de 5,2 milhões dos últimos dois anos. No entanto, a colheita ainda está em seus estágios iniciais e deve acelerar nas próximas semanas.

Preocupações com Estoques e El Niño

Apesar da expectativa de uma safra recorde, o setor enfrenta preocupações significativas. Primeiramente, os estoques globais de café permanecem baixos, resultado de safras anteriores comprometidas. Além disso, o fenômeno climático El Niño, caracterizado pelo aquecimento anômalo do Oceano Pacífico, pode impactar o padrão de chuvas nas regiões cafeeiras, afetando a floração e o desenvolvimento dos grãos que serão colhidos em 2027.

Impacto Potencial nos Preços

De acordo com Claudio Delposte, analista de café do Rabobank, condições climáticas adversas poderiam resultar em uma oferta restrita, o que poderia pressionar os preços para cima. Laleska Moda, da Hedgepoint Global Markets, afirma que, apesar da safra recorde, as preocupações com o El Niño podem limitar a queda nos preços do café.

Previsões do El Niño

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) indicou que existe uma probabilidade de 82% de que o El Niño se desenvolva entre maio e julho deste ano, com chances de 96% de ocorrer entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. Além disso, há 2 em 3 chances de que o fenômeno seja de intensidade forte ou muito forte durante o período crítico.

Preços ao Consumidor e Produção

Para os consumidores, a expectativa é de estabilidade ou leve queda nos preços a curto prazo, impulsionada pela expectativa da supersafra. As indústrias estão conseguindo recompor seus estoques, mas o impacto do El Niño, se ocorrer, pode demorar a ser sentido nos preços finais, uma vez que os contratos de fornecimento já estão estabelecidos. Celírio Inácio, da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), ressalta que ainda é cedo para prever ajustes significativos nos preços neste semestre.