O Brasil está considerando a redução da jornada de trabalho, um tema que ganha destaque, especialmente com as melhorias econômicas observadas nas últimas décadas. Para o economista Gabriel Chodorow-Reich, professor da Universidade de Harvard, essa mudança é coerente com a evolução econômica do país. Em entrevista à Folha, ele mencionou que, geralmente, à medida que as nações se tornam mais ricas, as horas trabalhadas tendem a diminuir.

Proposta de Redução da Jornada

Em sua visita ao Brasil, Chodorow-Reich participou de uma conferência organizada pelo Banco Central e discutiu a proposta do governo, que visa alterar a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem alteração salarial. Essa mudança é vista como um aumento indireto de 10% nos salários, o que pode ser atrativo em um ano eleitoral, mas também gera resistência de empresas.

Impactos na Produtividade

O economista destacou que os efeitos dessa redução na produtividade podem variar. A diminuição das horas pode resultar em aumento da produtividade, já que as últimas horas de trabalho são frequentemente menos produtivas devido ao cansaço. No entanto, ele também aponta que, em algumas indústrias, a transferência de tarefas pode ser complexa, o que poderia impactar negativamente a eficiência.

Riscos de Aumento da Informalidade

Um dos principais desafios discutidos por Chodorow-Reich é como evitar um aumento na informalidade, caso as horas de trabalho sejam reduzidas sem um correspondente aumento na produtividade. Ele explica que as empresas podem enfrentar custos trabalhistas crescentes, levando a demissões ou aumento dos preços, resultando em um cenário inflacionário e na erosão do poder de compra dos trabalhadores.

Desemprego e Taxas de Juros

Apesar das altas taxas de juros no Brasil, Chodorow-Reich observa que o desemprego está em níveis historicamente baixos. Ele sugere que isso pode ser um indicativo de que as taxas de juros não estão excessivamente restritivas, uma vez que a inflação está alta, mas não há aumento no desemprego. Ele ressalta que a dificuldade das empresas em encontrar trabalhadores pode levar a pressões sobre os salários e, consequentemente, sobre os preços.

Desafios Globais e Riscos Emergentes

Chodorow-Reich também abordou os riscos econômicos globais, especialmente em relação ao conflito no Oriente Médio e seus impactos nos preços de energia. Ele alerta que países emergentes que dependem de importações de petróleo podem ser particularmente vulneráveis a choques de preços, o que pode afetar suas economias e aumentar a incerteza econômica.