Depois de passar 16 anos preso em Minas Gerais, o advogado Gregório Andrade decidiu criar um aplicativo voltado para pessoas que cumpriram ou ainda cumprem pena. Com o intuito de facilitar a ressocialização dos egressos do sistema prisional, a ferramenta promete oferecer orientação jurídica, emissão de documentos, cursos e vagas de emprego.
O Contexto Prisional em Minas Gerais
Gregório destaca que Ribeirão das Neves, na Grande BH, abriga uma das maiores estruturas prisionais do Brasil, sendo que um em cada seis presidiários de Minas Gerais está nessa cidade. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirma que o estado possui 166 unidades prisionais e cerca de 72 mil detentos, com seis delas localizadas em Ribeirão das Neves.
Trajetória de Gregório Andrade
Natural de Belo Horizonte, Gregório foi preso aos 22 anos e cumpriu pena em diversas unidades prisionais. Durante o encarceramento, ele leu mais de dois mil livros e completou seus estudos, incluindo a graduação em direito. Sua experiência o motivou a criar o app, que deve ser uma ferramenta para reintegrar ex-detentos à sociedade.
Funcionalidades do Aplicativo
Nomeado de “Corre”, o aplicativo ainda não foi lançado oficialmente, mas já está pronto para uso. A plataforma permitirá que os usuários se cadastrem e recebam suporte através de uma inteligência artificial, que irá analisar suas situações e fornecer informações sobre direitos, benefícios e progressão de pena. O app também incluirá seções dedicadas a educação, saúde e assistência social.
Apresentações e Diálogo com o Poder Público
Gregório já apresentou sua proposta em diversos eventos, tanto no Brasil quanto na Europa, e está buscando diálogo com representantes do Ministério da Justiça e do TJMG. Ele acredita que a implementação do projeto pode se transformar em uma política pública essencial para a sociedade.
Impacto na Ressocialização e Reincidência Criminal
O advogado acredita que a iniciativa pode contribuir para a diminuição da reincidência criminal, evitando a necessidade de construir novos presídios. Segundo ele, o aplicativo funcionaria como uma ponte entre os egressos e os serviços já disponíveis, promovendo a reintegração social.
