O cantor e policial Carlos Hogendorp, conhecido artisticamente como Osmin Carlson, tem uma história de vida que atravessa continentes. Adotado por um casal holandês aos quatro anos, ele vive em Leeuwarden, na Holanda, e recentemente iniciou uma jornada de autoconhecimento. Durante suas férias no Brasil, ele tem participado de palestras e rodas de conversa sobre sua trajetória e a importância de um processo de adoção cuidadoso.
Retorno às raízes
Natural de Leme, São Paulo, Carlos foi acolhido por uma família holandesa junto com dois irmãos biológicos, Joseir e Isabel. Desde jovem, ele percebeu que tinha uma conexão especial com suas raízes brasileiras e decidiu explorar essa parte de sua identidade. Em suas visitas ao Brasil, ele se dedica a conscientizar sobre como a infância deve ser valorizada e respeitada.
Desafios da adoção
Em depoimento, Carlos relembra as dificuldades que enfrentou na infância, tanto em sua casa de acolhimento quanto na nova vida na Europa. Ele menciona que, mesmo com amor, a adaptação não foi fácil. “Eu lembro que lá uma pessoa batia nas crianças com um cinto”, revela, expressando a complexidade das experiências em sua infância. No entanto, ele destaca que seus pais adotivos sempre foram abertos a discutir a adoção, mesmo quando a comunicação era desafiadora.
Adoção internacional
O Brasil, por meio da Convenção de Haia, regula a adoção internacional, garantindo que seja feita com o foco no bem-estar da criança. Carlos foi uma das crianças que teve seus direitos respeitados durante o processo. Ele frequentou a creche, conforme a legislação local, e se adaptou rapidamente à nova vida. Com o tempo, tornou-se policial e encontrou uma nova identidade.
Conexão com o Brasil
O amor pelo Brasil despertou em Carlos ao assistir à Copa do Mundo de 1998, quando ele vibrou com a vitória da Seleção Brasileira. Esse sentimento só aumentou com o nascimento de sua filha, Viena, e o desejo de conhecer suas origens. Em 2014, ele conseguiu se conectar com sua mãe biológica, que, após um período de encarceramento, estava disposta a se reaproximar.
Missão social
A realidade que Carlos encontrou ao visitar sua família biológica foi impactante. Ele viu a vulnerabilidade de crianças em situação de rua e orfanatos, o que o motivou a trabalhar em prol da conscientização sobre a adoção e o apadrinhamento afetivo. Ele defende que as crianças devem ser bem tratadas e ter oportunidades de vida, além de incentivar que famílias brasileiras adotem crianças em vez de enviá-las para o exterior.
Sonho de retornar
Por fim, Carlos expressa seu desejo de voltar a morar no Brasil e mostrar a sua terra natal para sua filha. Ele acredita que a infância deve ser repleta de amor e esperança, e que cada criança merece um lar que a acolha. “O brasileiro nunca vai embora de você”, afirma, ressaltando a forte conexão que mantém com seu país de origem.
