O recente relatório da Celero, intitulado "Panorama do Investimento Corporativo no Brasil", oferece uma análise detalhada sobre a disparidade de gestão financeira entre grandes corporações e pequenas e médias empresas (PMEs). O estudo destaca que as PMEs enfrentam sérios desafios, como a escassez de capital excedente e a dificuldade de acesso a crédito, além de uma lacuna significativa em conhecimento financeiro.
Desafios das PMEs
Segundo o relatório, muitas PMEs estão operando no que a Celero descreve como "modo sobrevivência", focadas principalmente na gestão do fluxo de caixa diário. Estas empresas frequentemente recorrem a linhas de crédito de alto custo para suprir suas necessidades imediatas de capital de giro. As grandes empresas, em contraste, demonstram uma gestão financeira mais sofisticada, utilizando uma gama diversificada de instrumentos financeiros que não apenas asseguram liquidez, mas também atuam como estratégias de geração de receita.
Práticas Preocupantes
O estudo revela práticas preocupantes entre os gestores de PMEs: 75,5% deles utilizam o livro-caixa e 73% gerenciam o fluxo de caixa. Além disso, 21,6% dos gestores admitem misturar suas finanças pessoais com as da empresa. O relatório também aponta que 17% das PMEs dependem do cartão de crédito e 13,9% do cheque especial para capital de giro, operações que apresentam altas taxas de juros.
Impacto da Taxa de Juros
A Celero enfatiza que a falta de capital e o baixo nível de conhecimento financeiro são fatores que levam as PMEs a optar por estilos de investimento menos eficientes. Essa realidade contribui para a ausência de investimentos em tecnologias que poderiam melhorar sua situação financeira. A elevada taxa de juros no Brasil também é vista como um obstáculo para a criação de um "ciclo virtuoso" de financiamento, essencial para o crescimento sustentável das empresas.
A Importância da Tecnologia
João Tosin, CEO e co-fundador da Celero, ressalta que, mesmo diante desse cenário desafiador, o investimento em tecnologia deve ser considerado como uma questão de sobrevivência e sustentabilidade para os negócios. Ele argumenta que, em tempos difíceis, os empreendedores devem acreditar no potencial de suas empresas e buscar clareza operacional. A tecnologia, segundo Tosin, transforma a relação com o crédito, permitindo que os empréstimos sejam utilizados como aceleradores de crescimento, baseados em dados concretos.
Democratização do Acesso à Tecnologia
O relatório conclui que, além de ampliar o acesso ao crédito e promover a evolução do conhecimento financeiro, a democratização do acesso à tecnologia é fundamental para mudar o cenário atual. Tosin afirma que a Celero está pronta para dar esse passo, atuando como uma infraestrutura tecnológica que permite que bancos ofereçam valor real às PMEs, ajudando-as a sair do ciclo de "apagar incêndios".
