O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema, fez críticas à política externa brasileira durante um seminário em São Paulo, na terça-feira, 9. Ele associou o aumento das tarifas impostas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, à crescente dependência do Brasil em relação à China. Segundo Zema, essa situação representa uma vulnerabilidade para o país.

A proximidade com a China

Em sua fala, Zema explicou que a relação comercial com a China é significativa, mas alertou para os riscos de concentrar as exportações nesse mercado. "O Brasil está criando uma dependência perigosa com a China. Se amanhã a China começar a reduzir a importação de alguns produtos brasileiros, nós vamos enfrentar dificuldades muito grandes", declarou.

Ele comparou essa situação com sua experiência no varejo, enfatizando que a diversificação é fundamental para evitar vulnerabilidades. "A minha estratégia no varejo sempre foi não concentração em nenhum cliente. O PT, por sua vez, parece ter escolhido essa opção", criticou.

Relação com os Estados Unidos

Questionado sobre o impacto do tarifaço na relação com os irmãos Bolsonaro, Zema atribuiu a maior parte da responsabilidade à condução do governo do PT e do atual governo. Contudo, ele mencionou que a proximidade da família Bolsonaro com Trump poderia ser benéfica. "Como os Bolsonaro são muito próximos do Trump, que eles ajudem a resolver essa questão", afirmou.

O ex-governador também fez um alerta sobre a necessidade de cautela na adoção de medidas de reciprocidade caso as sanções americanas sejam formalizadas. Ele acredita que uma resposta automática poderia resultar em efeitos indesejados, aumentando custos para os consumidores brasileiros.

Impactos no turismo e comércio

Zema ressaltou que a exigência de vistos poderia prejudicar o turismo e setores relacionados, como a hotelaria. "Quem vai pagar é o brasileiro, que terá que comprar produtos mais caros. Precisamos ponderar e calibrar essas medidas", enfatizou.

Reação a proposta política