A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) conduziu um estudo que revela que o uso excessivo de celulares por pessoas com mais de 60 anos pode levar a problemas como insônia e ansiedade. Com a tecnologia se tornando parte essencial do cotidiano, muitos idosos se veem cada vez mais inseridos no mundo digital.

Transformação no uso da tecnologia

O cotidiano dos idosos mudou consideravelmente, com muitas atividades sendo realizadas por meio de dispositivos móveis. Iara Pereira, professora aposentada, exemplifica essa mudança ao mencionar o uso de celular, tablet e notebook para aprender novas habilidades, como crochê e macramê.

Sergio Pimentel, outro aposentado, ressalta a importância de ter cuidado ao navegar na internet e evitar informações sem verificação. Por outro lado, Marlene Mattos Fernandes reconhece que acaba perdendo a noção do tempo ao usar o celular, o que a impede de realizar outras atividades.

Estudos internacionais sobre o tema

Pesquisadores em diversas partes do mundo têm investigado o uso excessivo de telas entre os idosos. A UFMG publicou um artigo que analisou 20 estudos relevantes, destacando que a nomofobia – o medo de ficar desconectado – é uma preocupação crescente nesta faixa etária.

Renata Maria Silva Santos, do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologia/UFMG, afirma que muitos idosos sentem desconforto ao ficarem sem acesso ao celular, seja pela falta de bateria ou de internet. O estudo também aponta para a dependência tecnológica e a dificuldade em lidar com informações enganosas.

Impacto na qualidade do sono

Outro ponto crucial levantado pela pesquisa é que o uso excessivo de telas prejudica a qualidade do sono dos idosos. Ivone, de 80 anos, admite que passa horas no celular, o que a impede de manter sua rotina ativa, como a hidroginástica. Sua filha, Alexandra da Silva, comenta que, apesar de estar no grupo de ginástica, Ivone não consegue acompanhar a atividade fisicamente.

A importância da qualidade do conteúdo

A quantidade de tempo gasto em frente às telas é uma preocupação, mas especialistas ressaltam a importância de analisar a qualidade do conteúdo consumido. É fundamental entender se o que está sendo assistido gera ansiedade ou, ao contrário, proporciona aprendizado e conexão com amigos e familiares.

Estratégias de cuidado e atenção

Renata Maria Silva Santos sugere que as famílias devem prestar mais atenção à vulnerabilidade dos idosos em relação ao uso da tecnologia. Melhorar o letramento digital pode ser uma maneira eficaz de garantir que os mais velhos façam um uso saudável e consciente de seus dispositivos.