A Universidade Federal de Itajubá (Unifei) anunciou, na última quarta-feira (17), a suspensão de qualquer tramitação de convênios ou contratos que envolvam a Fundação Theodomiro Santiago (FTS). A decisão foi tomada em resposta a denúncias sobre tentativas de direcionamento de contratações na Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, conforme revelado pelo portal O Fator.

Denúncia e Reação da Unifei

De acordo com as informações, um suposto operador do ex-secretário de Educação, Rossieli Soares, teria sugerido a um fornecedor de materiais didáticos que aumentasse sua margem de lucro e se associaria à FTS para garantir a vitória em uma licitação. A reitoria da Unifei expressou preocupação com as notícias que surgiram recentemente, que envolvem a fundação como parte dessa denúncia.

A nota divulgada pela reitoria destaca que a FTS é atualmente credenciada como fundação de apoio da Unifei, conforme a legislação vigente. No entanto, a universidade afirmou que desconhecia a existência de contratos realizados pela FTS, que foram firmados por dispensa de licitação.

Indignação e Ações da Universidade

A Unifei manifestou sua indignação em relação à associação de seu nome a um contexto que não condiz com os princípios éticos da instituição. Logo após a primeira reportagem sobre a fundação, em junho, a universidade enviou um ofício à FTS solicitando esclarecimentos e a regularização do site de transparência da entidade, mas ainda aguarda uma resposta.

Após a divulgação de novas informações sobre contratos da FTS com outros órgãos, a Unifei decidiu comunicar o caso ao Ministério Público de Minas Gerais, ressaltando a importância da apuração dos fatos.

Contexto das Denúncias

As denúncias surgiram quando um fornecedor de materiais didáticos relatou ter sido abordado por um indivíduo que se identificou como operador de Rossieli Soares, sugerindo um aumento significativo na proposta de lucro em troca de associação com a FTS. Esse esquema, que previa a fundação como proponente formal em contratações, levantou suspeitas de direcionamento e levou à investigação pela Controladoria-Geral do Estado (CGE).

A CGE considerou as alegações plausíveis e recomendou a continuidade das investigações, que resultaram na exoneração do ex-secretário. A FTS, criada em 1960, tem atuado em diversos estados e firmou contratos significativos, levantando questionamentos sobre sua capacidade de execução.

Posição da Fundação Theodomiro Santiago

Em resposta às investigações, a FTS afirmou que foi abordada por representantes da Secretaria de Educação de Minas Gerais para discutir propostas, mas não houve formalização de parcerias. A entidade se colocou à disposição dos órgãos de controle, reiterando que não tem conhecimento de qualquer ato impróprio por parte de seus representantes.