O músico João Carvalho surpreende ao lançar seu novo álbum, intitulado 'Uma festa no centro do vazio', que é uma homenagem às comunidades impactadas pela mineração em Minas Gerais e Espírito Santo. As canções que compõem o disco foram escritas durante os anos que passou viajando entre essas regiões, enquanto produzia documentários sobre as realidades locais.
Processo Criativo
Durante suas viagens, Carvalho aproveitava os momentos livres para compor, geralmente apenas com sua voz e violão. Após cinco anos, ele retornou a Belo Horizonte em 2025, onde finalizou o álbum, que já está disponível nas plataformas digitais. O título do disco é inspirado em um poema do escritor argentino Roberto Juarroz, e reúne nove faixas que refletem as experiências e vivências adquiridas ao longo do tempo.
Influências e Conexões
O artista teve a oportunidade de conviver com diversas comunidades, como pescadores, ciganos e quilombolas, e essa imersão transformou sua forma de compor. “Essa convivência alterou a minha música”, afirma Carvalho, que descreve o resultado como um disco contemplativo, ligado ao ritmo dos rios e ao cotidiano do interior.
Documentários e Experiências
Além do álbum, o período nômade de João também gerou os documentários “Água rasa” e “No tempo da farinha”, que retratam as condições de vida das populações afetadas pela mineração, especialmente em áreas próximas ao Rio Paraopeba. Ele destaca a importância de dar voz a essas comunidades pouco conhecidas.
Referências Musicais
João Carvalho percebeu semelhanças entre sua própria vivência e a do Clube da Esquina, que também explora a música a partir de experiências de viagem e transformação. A canção de encerramento do disco, que é uma parceria com Nando Motta e dedicada a Milton Nascimento, conecta esses universos, mencionando locais significativos como Itaúnas e a Serra do Caraça.
Colaborações e Produção
A faixa-título, que também conta com a participação da artista Clara Bicho, reflete a busca por uma sonoridade comum. A produção do álbum foi realizada no estúdio Cais, em colaboração com Bernardo Bauer e Felipe D’Angelo, e apresenta arranjos de cordas de Jovana Trifunovic. Segundo Carvalho, o disco traz um equilíbrio entre simplicidade e sofisticação, com uma sonoridade que respira e convida à reflexão.
