As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA), que são isentas de Imposto de Renda, estão passando por uma diminuição nas taxas de remuneração neste ano. Esse cenário exige que os investidores fiquem mais atentos ao comparar essas opções com outros investimentos que estão sujeitos à tributação.

Desempenho das taxas

De acordo com um estudo realizado pela Quantum Finance, a remuneração média das LCIs atreladas ao CDI caiu de 94,41% em 2025 para 88,00% em 2026. As LCAs também registraram um recuo, mas menos acentuado, de 90,05% para 88,24% do CDI. O volume de emissões de LCIs caiu drasticamente, passando de 197 para apenas 16 títulos entre janeiro e maio, enquanto as LCAs tiveram um aumento nas emissões, subindo de 6.172 para 7.278 no mesmo período.

Causas da queda

A diminuição nas taxas de remuneração reflete uma maior seletividade dos bancos na concessão de crédito, além de uma demanda reduzida no setor imobiliário, que ainda enfrenta altas taxas de juros. O aumento das emissões no segundo semestre de 2025, impulsionado por receios de tributação, também contribuiu para essa realidade no mercado em 2026.

Comparação com investimentos tributados

Apesar da queda nas taxas, as LCIs e LCAs ainda podem ser opções atrativas, desde que os investidores façam uma comparação adequada com ativos tributados. O analista Antonio Sanches, da Rico Investimentos, recomenda o cálculo do “gross up”, que transforma a taxa do papel isento em uma taxa bruta equivalente, facilitando a comparação com CDBs e Tesouro Direto. Essa análise deve levar em conta o prazo da aplicação e a alíquota de imposto aplicável.

Escolha consciente

A liquidez é um fator essencial a ser considerado. De acordo com Sanches, os investidores devem avaliar a relação entre liquidez, risco e rentabilidade. Como as LCIs e LCAs costumam ter prazos mais longos e carências, resgates antecipados podem resultar em perdas. Produtos tributados com liquidez diária podem ser mais vantajosos em certas situações.

Riscos e cuidado ao investir

Outro ponto a ser observado é o risco de crédito. Emissores menores podem oferecer taxas atrativas, mas isso vem acompanhado de riscos adicionais. Embora o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) proteja até R$ 250 mil por CPF, a demora no pagamento e a falta de correção podem impactar investidores, especialmente em papéis de curto prazo. Assim, é aconselhável optar por emissores de boa reputação.