Nesta quarta-feira (10), o Tesouro Prefixado rompeu a barreira dos 15% ao ano, com o título com vencimento em 2029 alcançando a taxa de 15,02%, um aumento em relação aos 14,89% registrados na terça-feira. Esse movimento sinaliza uma possível mudança nas expectativas de juros, com investidores precificando uma reversão da tendência de queda da Selic, especialmente com a iminente reunião do Copom na próxima semana.

Impacto da Pesquisa Eleitoral

A alta nas taxas do Tesouro está, em parte, relacionada a uma pesquisa divulgada pela Quaest, que mostrou Lula ampliando sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição, além de liderar o primeiro turno com uma folga considerável. Esse cenário eleitoral tem gerado reações significativas no mercado.

A curva de juros apresentou um aumento generalizado, com o título Prefixado 2032 subindo de 14,79% para 14,87% e o título com juros semestrais para 2037 avançando de 14,70% para 14,79%. Em contraste, os títulos atrelados à inflação tiveram uma abertura mais moderada: o IPCA+ 2032 subiu de 8,32% para 8,38%, enquanto o 2037 com juros semestrais avançou de 7,94% para 7,98%, se aproximando do limite psicológico de 8% já ultrapassado pelo título mais curto de 2032.

Cenário Fiscal e Político

Adicionalmente, o ambiente econômico se encontra repleto de incertezas, especialmente em relação à questão fiscal. O governo adiou a auditoria do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para após as eleições, focando na redução da fila do INSS. No Senado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe mudanças na jornada de trabalho ainda não tem previsão de avanço, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, aguardando diálogo direto com Lula.

Pressões no Mercado

Enquanto isso, a equipe econômica está se esforçando para conter propostas que poderiam impactar significativamente as contas públicas, como a renegociação de dívidas rurais e a ampliação de benefícios tributários. Historicamente, as preocupações fiscais tendem a afetar mais os títulos de longo prazo, que não apresentam grandes oscilações em comparação aos mais curtos.

Reação do Mercado Interno e Externo

No cenário internacional, a inflação ao consumidor nos Estados Unidos, divulgada no início do dia, veio conforme o esperado, trazendo um leve alívio para o câmbio. O dólar, que inicialmente abriu em alta após a pesquisa da Quaest, retornou à estabilidade após a divulgação dos dados. No entanto, essa informação ainda não se refletiu nas taxas dos títulos do Tesouro.

Análise do Mercado

Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, comentou sobre a situação do CPI dos EUA, destacando que, embora os números sejam preocupantes, a composição dos dados indica que o problema está concentrado no setor de energia. Murad acredita que o mercado deve interpretar esses dados como um sinal de que os juros nos EUA permanecerão altos por um período prolongado, o que pode pressionar as Treasuries e resultar em um dólar mais forte, limitando o apetite por riscos em ações e mercados emergentes.