A proporção de indivíduos considerados pobres nas metrópoles brasileiras teve uma queda significativa, passando de 19,5% em 2024 para 18,4% em 2025. Este é o menor nível já registrado desde o início da série histórica em 2012, conforme aponta o 17º boletim sobre Desigualdade nas Metrópoles, divulgado pela PUC-RS Data Social e o Observatório das Metrópoles.
Renda e Desigualdade
O estudo, que analisa as 22 principais regiões metropolitanas do Brasil, revela que a renda aumentou para diversos grupos populacionais, incluindo os mais pobres. Apesar disso, o crescimento da renda entre os mais ricos superou o dos mais pobres, resultando em um aumento da desigualdade, medida pelo índice de Gini.
O índice de Gini, que varia de 0 (igualdade total) a 1 (desigualdade máxima), subiu 1,4% em 2025, alcançando 0,541, um dos menores valores da série. Essa elevação indica que, embora a renda tenha aumentado, a distribuição dos recursos se tornou mais desigual.
Números da Pobreza
Em termos absolutos, a taxa de 18,4% representa 15,2 milhões de pessoas vivendo em condições de pobreza nas metrópoles, o que é inferior ao recorde de 25,6 milhões observado em 2021 durante a pandemia. A taxa de extrema pobreza também registrou queda, passando de 3,4% em 2024 para 3,2% em 2025.
Com isso, cerca de 2,6 milhões de pessoas se encontram em situação de extrema pobreza nas metrópoles, um número considerável, mas bem inferior ao pico de 5,6 milhões em 2021. As definições de pobreza e extrema pobreza seguem recomendações do Banco Mundial, levando em conta a paridade de poder de compra.
Diferenciação Regional
As disparidades entre as regiões metropolitanas são evidentes. Brasília apresenta a maior desigualdade, com um Gini de 0,570, enquanto Cuiabá apresenta a menor, com 0,459. A capital do país também possui a maior renda média, alcançando R$ 4.401 por pessoa, contrastando com os R$ 1.616 de Grande São Luís, que tem a menor média.
A taxa de pobreza varia consideravelmente entre as metrópoles, de 7,7% em Florianópolis a 34,1% em Fortaleza, enquanto que em São Paulo a proporção é de 13,1%, abaixo da média nacional. Estes dados ressaltam a complexidade do cenário econômico nas diversas regiões do Brasil, onde a desigualdade persiste mesmo com avanços na redução da pobreza.
