A empresa Complexsys, suspeita de participar de um esquema de desvio de dinheiro público, opera em uma sala comercial na Vila Mariana, São Paulo, dividindo espaço com uma clínica de acupuntura e fisioterapia. No dia 1º de junho, a polícia realizou uma operação de busca e apreensão no local, onde encontrou uma maca e equipamentos de terapia.

Suspeitas de Irregularidades

A Complexsys está sob investigação da Polícia Civil devido a serviços prestados à ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), que recebeu R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de Wi-Fi em áreas periféricas. A polícia suspeita que parte desses recursos foi desviada para financiar o filme 'Dark Horse', que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Karina Ferreira da Gama, responsável pelo ICB e pela produtora Go Up Entertainment, também é alvo das investigações. A Complexsys foi contratada por R$ 8,6 milhões para auxiliar nas instalações, mas irregularidades foram identificadas nas prestações de contas da ONG, incluindo uma nota fiscal de R$ 2 milhões que foi cancelada meses após sua emissão.

Busca e Apreensão

Durante a operação, os policiais apreenderam dois notebooks, dois pen drives e um celular, além de documentos relacionados à empresa. André Feldman, representante da Complexsys, colaborou com as autoridades durante a busca, que revelou a estrutura simples do local, onde um dos cômodos era dedicado à fisioterapia.

Defesa e Esclarecimentos

Em resposta às acusações, a Complexsys afirmou que suas atividades sempre seguiram a legalidade e que está disponível para colaborar com as investigações. A empresa ressalta que não há provas concretas que a incriminem e defende o direito ao devido processo legal.

Contexto do Contrato

Até março de 2025, Eduardo Ferreira Franco, conselheiro do ICB, foi sócio da Complexsys. Sua atuação na São Paulo Turismo (SPTuris) também levanta questões sobre possíveis irregularidades em contratos com a prefeitura, incluindo pagamentos exorbitantes para serviços de eventos relacionados a Karina Gama, reforçando as suspeitas de superfaturamento e falta de capacidade técnica da ONG.

Operação Wi-Fi

A operação Wi-Fi destacou que a Prefeitura de São Paulo pagou valores muito acima do mercado pelo ICB para a instalação dos pontos de Wi-Fi. Enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306 por ponto, o contrato com o ICB estipulava R$ 1.800, gerando preocupações sobre a legalidade e eficiência do uso dos recursos públicos.