Um alerta de um smartwatch levou um morador de São José do Rio Preto (SP) a procurar atendimento médico, onde foi diagnosticado com fibrilação atrial, uma arritmia que eleva o risco de AVC e complicações cardiovasculares. Isso levanta a questão: até que ponto podemos confiar nos smartwatches para detectar problemas de saúde?

O papel dos smartwatches na saúde

De acordo com o cirurgião cardiovascular Ricardo Kazunori Katayose, da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, esses dispositivos podem ser ferramentas úteis de rastreamento, mas não devem substituir exames médicos ou confirmar diagnósticos. Um exemplo é o caso de Robson Cardoso, de 35 anos, cujo relógio registrou uma frequência cardíaca anormal e emitiu alertas enquanto ele estava em repouso. O diagnóstico definitivo da fibrilação atrial só foi feito após um eletrocardiograma.

Identificação de alterações fisiológicas

Os relógios modernos monitoram continuamente diversos sinais vitais, como frequência cardíaca, níveis de oxigênio no sangue e qualidade do sono. Alguns modelos oferecem eletrocardiogramas simplificados e podem identificar padrões que indicam arritmias, mas isso não implica que o dispositivo possa diagnosticar doenças cardíacas.

Limitações da tecnologia

Recentemente, uma pesquisa publicada no Journal of the American Medical Association (JAMA) analisou a função de notificação de hipertensão do Apple Watch, revelando que ele poderia detectar cerca de 41% das pessoas com pressão alta não diagnosticada. No entanto, isso significa que quase 60% dos casos poderiam passar despercebidos. Katayose enfatiza que a alta taxa de falsos negativos torna a tecnologia insuficiente como método isolado de triagem.

Quando procurar ajuda médica?

É importante observar o contexto dos alertas emitidos pelos smartwatches. A frequência cardíaca pode elevar-se temporariamente devido a exercícios, estresse, febre, entre outros fatores. Alertas frequentes, especialmente em repouso ou associados a sintomas como palpitações, falta de ar ou dor no peito, devem ser motivo para consultar um médico. A ausência de alertas não garante que a saúde esteja em ordem.

Fibrilação atrial e seus riscos

A fibrilação atrial é uma das arritmias mais comuns, caracterizada por contrações desordenadas dos átrios do coração, resultando em batimentos irregulares. Embora algumas pessoas sintam sintomas, outras podem ser assintomáticas. O principal risco é a formação de coágulos que podem levar a um AVC, tornando o diagnóstico e tratamento precoces essenciais.

Conclusão: aliados na saúde

Os relógios inteligentes devem ser vistos como ferramentas complementares na identificação de problemas de saúde. Eles podem sinalizar alterações e incentivar a procura por atendimento médico, mas suas limitações ainda exigem a confirmação através de exames. O caso de Robson ilustra que, embora o alerta do smartwatch não tenha fornecido um diagnóstico, foi crucial para que ele buscasse ajuda médica a tempo.