A Santos Brasil, a principal operadora de contêineres do Brasil, manifestou a necessidade de alteração no traçado do túnel Santos-Guarujá, que está prestes a iniciar suas obras. A empresa argumenta que a configuração atual da obra poderá gerar impactos logísticos significativos e prejuízos que podem chegar a bilhões, afetando diretamente o Tecon Santos, o maior terminal de contêineres do país.

Preocupações com o projeto

Apesar de não se opor à construção do túnel, a Santos Brasil levantou diversas críticas sobre a forma como os acessos estão planejados. A companhia destacou que a atual estrutura poderia provocar conflitos constantes entre o tráfego urbano e a movimentação intensa de caminhões que atendem o terminal.

A solicitação formal da empresa, que foi encaminhada à Autoridade Portuária de Santos (APS), à Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), ressalta a seriedade do assunto.

Impactos financeiros e operacionais

Em um documento acessado pela reportagem, a Santos Brasil apresentou estimativas de perda operacional se o projeto continuar sem modificações. Segundo a empresa, há a possibilidade de uma redução de até 50% na capacidade de acesso rodoviário ao terminal, o que resultaria em um impacto financeiro de dezenas de bilhões ao longo do contrato.

As simulações indicam que uma redução permanente de 9,5% na capacidade operacional poderia gerar um déficit financeiro de R$ 1 bilhão. A obra, que representa um investimento de R$ 6 bilhões, busca melhorar a mobilidade entre Santos e Guarujá, mas a Santos Brasil teme que a execução do projeto atual comprometa seu funcionamento.

Análise pelo governo

O governo de São Paulo, através da Secretaria de Parcerias em Investimentos, confirmou que o pedido da Santos Brasil está sendo analisado tecnicamente. A gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) declarou que o projeto foi desenvolvido com base em estudos técnicos e que foram realizadas audiências públicas para discussão do tema.

Operação do Tecon Santos

Atualmente, o Tecon Santos opera perto de sua capacidade máxima, com uma taxa média de ocupação de 90%. A empresa opera ininterruptamente, o que torna qualquer interferência nas operações um potencial gerador de atrasos e prejuízos. A Santos Brasil alerta que a proposta atual do túnel poderá afetar tanto a fase de construção quanto a operação contínua da travessia.

Futuro do terminal

A Santos Brasil também tem planos de expansão do terminal conhecido como "Prainha", que pretende aumentar a capacidade em 33%. Com a ampliação, o número de caminhões atendidos diariamente poderia subir de 2.560 para 3.340, com picos de até 4.200. Contudo, a empresa afirma que o traçado atual do túnel prejudica essa expansão, comprometendo a viabilidade do projeto.