Um grupo de mães em Caeté, na Região Central de Minas Gerais, está organizando uma caminhada para exigir atendimento pediátrico 24 horas na Santa Casa. O evento está agendado para a próxima terça-feira, dia 2 de junho, com concentração às 14h na Praça do Poliesportivo, seguindo em direção à prefeitura.
Problemas enfrentados pelas famílias
As mães relatam problemas sérios como longas esperas, falta de pediatras nas madrugadas e fins de semana, além de um aumento nas doenças respiratórias que afetam crianças. A mobilização ganhou força após vídeos de uma mãe, Stef Vrato, que expôs as dificuldades que enfrentou ao buscar atendimento para sua filha com cardiopatia.
Stef contou que a insegurança é constante, já que em situações críticas, como a de sua filha, não há pediatras disponíveis. “Minha filha pode ficar roxa a qualquer momento e eu não sei para onde levar. A ausência de pediatras 24 horas só aumenta essa incerteza,” afirmou.
Relatos de atendimentos inadequados
Várias mães compartilharam experiências negativas. Uma delas descreveu um atendimento inadequado ao levar seu bebê de dois meses à Santa Casa, onde o médico sugeriu que ela desse água ao filho, ao invés de um tratamento adequado. Outro relato mencionou que um médico sugeriu transferir uma criança com dengue para Belo Horizonte devido à falta de pediatras na unidade.
Além disso, as famílias enfrentam longas esperas por atendimento. Uma mãe relatou que ficou quase oito horas na unidade com sua filha doente, e outra mencionou que seu filho recebeu uma prescrição errada de medicamento, o que gerou preocupação e desconforto.
Movimento crescente e reivindicações
A mobilização ganhou força nas redes sociais, e já existem mais de 220 mães envolvidas. Um abaixo-assinado solicitando a presença de pediatras 24 horas já ultrapassou mil assinaturas e foi entregue a autoridades locais, mas até o momento, não houve resposta oficial.
Carlos Júnior, gestor da Santa Casa, afirmou que seriam necessários cerca de R$ 80 mil mensais para manter o atendimento pediátrico contínuo, mas a ampliação depende de repasses e atualização contratual com a prefeitura. As mães também destacam a falta de UTI pediátrica na cidade, o que agrava a situação.
Prioridades em discussão
Stef criticou a falta de prioridade do governo municipal em relação à saúde infantil, comparando os custos de um show previsto na cidade com o valor necessário para manter os pediatras. “Enquanto um show custa cerca de R$ 125 mil, poderíamos manter o pediatra por um mês com R$ 80 mil. Nossos filhos merecem atenção,” disse.
Com a caminhada, as mães esperam chamar a atenção das autoridades e mostrar a urgência da situação. “Estamos pedindo socorro pelos nossos filhos. É uma dor real que estamos enfrentando,” concluiu Stef.
A reportagem da TV Sim Brasil tentou contato com a Prefeitura de Caeté para obter um posicionamento sobre as reivindicações, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
