No auge da Grande Depressão, em 1934, o governo do democrata Franklin Delano Roosevelt enfrentava uma realidade devastadora, com cerca de 24% da força de trabalho americana desempregada. Esse índice, se comparado aos dados do Banco Mundial de 2024, posicionaria os Estados Unidos daquele período atrás de apenas três países: Botsuana, Djibuti e África do Sul.

Impactos da Crise Econômica

A crise resultou em famílias inteiras despejadas, que formaram favelas conhecidas como "Hoovervilles", em homenagem ao presidente Herbert Hoover, que estava no poder durante a quebra da Bolsa de 1929. Os operários urbanos passaram a depender de instituições de caridade, que frequentemente não conseguiam atender à enorme demanda, enquanto agricultores perdiam suas terras em um ritmo alarmante.

Estudos indicam que milhões de pessoas estavam em estado de desnutrição crônica, com homens vagando pelas ferrovias em busca de trabalho e de formas de sustentar suas famílias.

O New Deal e a Expansão do Poder

Para enfrentar essa crise sem precedentes, Roosevelt lançou o New Deal, promovendo a maior expansão do poder da presidência americana desde a Guerra Civil. Com o apoio do Congresso e da Suprema Corte, ele criou diversas agências para regular o mercado de trabalho e a economia, resgatando agricultores e fortalecendo sindicatos.

Lizabeth Cohen, professora de história americana na Universidade Harvard, ressalta que Roosevelt transformou o governo federal em um ator central na luta contra a Depressão, criando uma conexão direta com o povo por meio de transmissões de rádio conhecidas como "conversas à beira da lareira".

Comparações com Donald Trump

Mais de 90 anos após Roosevelt, Donald Trump também busca aumentar os poderes da Casa Branca, sendo considerado um dos presidentes mais poderosos das últimas décadas. No entanto, especialistas alertam sobre as diferenças entre os dois líderes. Enquanto Roosevelt contava com uma ampla maioria no Congresso, Trump tem se baseado em decretos para implementar suas mudanças.

O professor Reuel Schiller, da Universidade da Califórnia, observa que, ao contrário de Roosevelt, Trump utiliza sua presidência para ações que frequentemente enfrentam resistência judicial, especialmente em áreas como imigração e comércio.

Desafios e Oposição

Roosevelt, apesar das críticas, conseguiu convencer a Suprema Corte sobre a constitucionalidade de suas intervenções na economia, argumentando que a Constituição deveria evoluir com o tempo. O governo federal, segundo Cohen, passou a ser visto como um protetor em tempos de crise, uma ideia que se estendeu ao papel dos EUA no cenário global.

Embora a Segunda Guerra Mundial tenha sido o fator decisivo para tirar os EUA da Grande Depressão, a abordagem de Roosevelt em relação ao povo e à crise ainda reverbera nos dias de hoje, especialmente nas estratégias de comunicação, como as redes sociais utilizadas por Trump.

Conclusão

Cohen destaca que a principal semelhança entre Trump e Roosevelt não reside apenas na expansão do poder presidencial, mas na forma como ambos se relacionam com o eleitorado. No entanto, a filosofia de Roosevelt era fundamentada na compaixão, ao passo que Trump apresenta uma visão que pode ser interpretada como de crueldade. Essa diferença essencial molda a maneira como cada um dos líderes se conecta com o povo americano e aborda os desafios do país.