Uma recente pesquisa realizada pelo Instituto Alana, em colaboração com o Instituto Equidade.info, revelou que 37,1% das alunas brasileiras faltam às aulas mensalmente devido a dores menstruais. O estudo, divulgado no Dia Internacional da Dignidade Menstrual, aponta que seis em cada dez estudantes que menstruam relatam cólicas que interferem em sua rotina escolar.

Sintomas menstruais e suas consequências

O levantamento, que entrevistou 2.551 estudantes, docentes e gestores escolares, identificou que o principal sintoma que impede a frequência escolar é a cólica, mencionada por 57,7% das alunas. Outros sintomas incluem cansaço (30,1%), dores de cabeça (28%) e medo de vazamentos (19,3%). Esses problemas podem resultar em até dois dias de falta por mês, afetando o aprendizado e o vínculo escolar.

Desigualdade racial e menstruação

A pesquisa também destacou desigualdades raciais. Embora as alunas negras relatem menos cólicas fortes, elas faltam mais às aulas, com 14,5% delas perdendo de dois a cinco dias por mês. A porta-voz do Instituto Alana, Sofia Reinach, ressalta que a normalização da dor entre essas meninas pode subestimar a gravidade do problema, exigindo uma atenção maior por parte de educadores e profissionais de saúde.

Infraestrutura e pobreza menstrual

A falta de infraestrutura adequada, como banheiros e produtos de higiene, agravou a situação, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Um exemplo é a estudante Ana Clara Maimoni, que, preocupada com a falta de absorventes em sua escola, arrecadou cerca de mil unidades para ajudar suas colegas. Ela destaca a importância de abordar a saúde menstrual nas escolas e a necessidade de um suporte maior para as alunas.

Menarca precoce e dores intensas

A pesquisa também revelou que a menarca, ou primeira menstruação, está ocorrendo cada vez mais cedo no Brasil, com 65,2% das meninas menstruando até os 11 anos. Essa antecipação está associada a dores mais intensas, com 43% das alunas que menstruaram aos 10 anos relatando cólicas fortes.

A importância da educação menstrual

O Instituto Alana enfatiza a necessidade de iniciar discussões sobre saúde menstrual nas escolas desde a infância. Sofia Reinach destaca que é essencial que educadores e gestores estejam atentos às necessidades das alunas e que políticas de saúde menstrual sejam implementadas, garantindo um ambiente escolar mais inclusivo e acolhedor.