A reforma tributária, que entrará em vigor em 2027, promete transformar a rotina operacional das indústrias brasileiras. A implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá o PIS e a COFINS, e do Imposto Seletivo, que tomará o lugar do IPI, traz à tona uma nova dinâmica tributária que exigirá adaptações significativas.

Novas Regras e Desafios

Com a nova legislação, a CBS terá uma abordagem de não-cumulatividade plena e uma base de cálculo mais ampla do que a atual para PIS e COFINS. Essa mudança é crucial para cadeias produtivas longas e complexas, típicas do setor industrial, pois eliminará resíduos tributários que, até então, se acumulavam ao longo da cadeia produtiva.

Além disso, a não-cumulatividade permitirá que as indústrias utilizem créditos dos tributos incidentes nas transações anteriores para compensar os tributos na saída, facilitando a apuração dos impostos e promovendo uma simplificação no processo tributário.

Impactos na Precificação

No entanto, a transição não será isenta de desafios. As empresas terão que lidar com a coexistência da CBS e do ICMS, que podem gerar distorções de preço e perda de competitividade. A análise cuidadosa de preços se torna essencial, especialmente com a previsão de que, a partir de 2029, o IBS também passará a ser aplicado, complicando ainda mais o cenário para as indústrias.

Outro aspecto importante é a necessidade de reavaliação de contratos de longo prazo firmados sob a lógica do sistema tributário anterior. Com a introdução da CBS e, posteriormente, do IBS, as empresas devem antecipar possíveis renegociações para evitar desequilíbrios financeiros.

A Importância da Preparação

Desde janeiro de 2026, as indústrias estão obrigadas a emitir documentos fiscais eletrônicos destacando a CBS e o IBS, o que exige que os sistemas contábeis já estejam adaptados. A localização geográfica, que anteriormente influenciava o planejamento tributário, perderá relevância, enquanto fatores como logística e qualidade da mão de obra se tornarão mais importantes.

Embora ainda não seja possível identificar quais setores sofrerão impactos negativos imediatos, é provável que aqueles que se beneficiavam de incentivos fiscais enfrentem desafios, já que a carga tributária reduzida tende a desaparecer. Assim, as áreas jurídica, fiscal, contábil e de tecnologia terão um papel fundamental na implementação eficaz da reforma a partir de 2027.