Cerca de 40% das alunas no Brasil não vão à escola mensalmente devido a dores menstruais, de acordo com um estudo do Instituto Alana e do Instituto Equidade.info. A pesquisa, divulgada em 27 de maio, Dia Internacional da Dignidade Menstrual, mostra que 60% das estudantes que menstruam relatam cólicas moderadas a fortes, impactando sua rotina escolar.
Impacto das cólicas nas aulas
O levantamento, que incluiu 2.551 estudantes, revelou que 57,7% das alunas mencionam cólicas como o principal motivo para faltas. Outras razões citadas incluem cansaço (30,1%), dores de cabeça (28%) e medo de vazamento (19,3%). Essas condições podem resultar em até dois dias de falta por mês, afetando o aprendizado e a vida escolar das estudantes.
Desigualdade racial e menstrual
A pesquisa também aponta disparidades raciais significativas. Alunas negras faltam mais às aulas devido a sintomas menstruais, com 14,5% delas perdendo de dois a cinco dias por mês, em comparação a 9,6% das alunas brancas. Além disso, as meninas negras tendem a normalizar mais suas dores, o que pode levar a um subdiagnóstico de suas condições de saúde.
Necessidade de mudanças nas escolas
O Instituto Alana sugere a criação de protocolos que reconheçam a dor menstrual como um problema coletivo, além de oferecer orientações aos professores. Essas mudanças visam reduzir o estigma enfrentado pelas alunas e garantir que suas ausências sejam registradas adequadamente.
Condições de infraestrutura e apoio
A falta de infraestrutura, como banheiros adequados e produtos de higiene, é uma realidade que afeta especialmente as regiões Norte e Centro-Oeste. Estudantes como Ana Clara Maimoni, de Brasília, têm se mobilizado para arrecadar absorventes e conscientizar sobre a pobreza menstrual, ressaltando a importância da educação nesse contexto.
Educação e saúde menstrual
A pesquisa também destaca a importância de abordar a saúde menstrual desde cedo nas escolas. A menarca precoce, que ocorre em média até os 11 anos para 65,2% das meninas, está associada a dores mais intensas. O estudo reforça a necessidade de educar tanto meninos quanto meninas sobre o ciclo menstrual, quebrando tabus e promovendo um ambiente de apoio.
