A Prefeitura de São Paulo lançou uma consulta pública para discutir a reurbanização de Paraisópolis, a maior favela da cidade, localizada na zona sul. A proposta busca receber sugestões da população sobre as intervenções planejadas, que podem transformar significativamente a comunidade. O edital para o processo de licitação está previsto para ser divulgado no segundo semestre deste ano.
Desafios e Intervenções
Um dos principais desafios enfrentados em Paraisópolis é a presença do Primeiro Comando da Capital (PCC), que exerce controle sobre a área, bloqueando acessos e cobrando taxas de comerciantes. A iniciativa da prefeitura visa combater o domínio da criminalidade por meio de obras e melhorias estruturais, que incluem desapropriações necessárias.
Nova Paraisópolis
Intitulada "Nova Paraisópolis", a proposta inclui a ampliação da avenida Hebe Camargo, que liga a favela à estação de metrô São Paulo-Morumbi. Essa obra reduzirá o tempo de deslocamento entre esses pontos de 45 para apenas 15 minutos. Além disso, está prevista a requalificação de 36 km de ruas e vielas, com a intenção de enterrar fiações e melhorar o saneamento e a ventilação.
Obras de Saneamento
Outra parte do projeto envolve a canalização dos córregos Antonico e Itararé. A Folha de S.Paulo reportou que, em 2024, moradores relataram que o PCC havia expulsado trabalhadores e interrompido obras no córrego Antonico, evidenciando a urgência de intervenções na área.
Habitação e Educação
O projeto também prevê a conclusão de 821 moradias nos condomínios Sanfora e Vila Andrade, além da construção de mil novas residências para a realocação de famílias que vivem em áreas de risco. Na esfera educacional, serão implantadas seis novas escolas — duas de ensino fundamental e quatro infantis — assim como um Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos (Cieja).
Financiamento e História
Os recursos para essa vasta reurbanização virão da Operação Urbana Consorciada Faria Lima, que arrecadou R$ 1,67 bilhão através do Certificado de Potencial Adicional de Construção (Cepac). Esta ferramenta permite a construtoras aumentarem a área construída em projetos mediante leilões, destinando os valores arrecadados para iniciativas sociais.
Contexto da Comunidade
Paraisópolis, que começou a se formar na década de 1970, é habitada por aproximadamente 58.527 pessoas, segundo dados do Censo 2022. Embora tenha uma taxa de criminalidade inferior à média da cidade nos últimos 12 meses, a comunidade ainda enfrenta desafios graves, incluindo tiroteios e letalidade policial, como evidenciado por incidentes recentes.
