Recentemente, o setor elétrico do Brasil passou a ser objeto de maior atenção devido à confirmação do fenômeno El Niño, que poderá ocorrer entre 2026 e 2027. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) anunciou uma probabilidade de 63% de que o fenômeno alcance a categoria 'muito forte' neste período, podendo se igualar a eventos históricos de 1982-83, 1997-98 e 2015-16.
Impactos no setor elétrico
Os especialistas afirmam que os efeitos mais significativos do El Niño sobre o sistema elétrico brasileiro não devem ser imediatos. A expectativa é que os maiores desafios surjam em 2027, quando os reservatórios poderão começar a ser impactados pela seca, afetando a geração de energia.
Atualmente, os reservatórios das hidrelétricas no Nordeste estão operando em níveis altos, entre 95% e 100%, após dois anos de chuvas favoráveis. No Sudeste e Centro-Oeste, que concentram cerca de 70% da capacidade de armazenamento hídrico do país, os níveis também estão satisfatórios.
Preocupações futuras
Os especialistas alertam para o 'período de recarga' dos reservatórios, que ocorre entre setembro e março, coincidente com a fase mais intensa do El Niño. Projeções indicam que esse período pode ter chuvas irregulares e abaixo da média, o que pode comprometer o abastecimento hídrico necessário para enfrentar a estação seca seguinte.
Em entrevista, Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, destacou que se as chuvas no início de 2027 forem insuficientes, os reservatórios podem não se recuperar adequadamente, impactando a geração de energia. No entanto, ele acredita que não há risco de apagão como o vivido em 2021.
Repercussões no mercado financeiro
As incertezas climáticas também afetam o mercado financeiro, onde as empresas listadas na bolsa podem sentir impactos variados, dependendo da localização dos ativos e da composição de suas fontes de geração. Relatórios indicam que empresas como Axia e Eneva podem se beneficiar de preços mais altos de energia devido ao acionamento das usinas térmicas.
Setor agropecuário sob vigilância
No agronegócio, a SLC Agrícola é vista como uma das empresas mais vulneráveis ao El Niño, especialmente devido à sua exposição ao MATOPIBA. As perdas de safra e a limitação nos preços das commodities podem afetar negativamente a produtividade. Em contrapartida, empresas como 3tentos e Camil podem se beneficiar de condições favoráveis.
Expectativas econômicas
A principal consequência de uma queda nos reservatórios seria a necessidade de acionamento mais frequente das termelétricas, resultando em contas de luz mais altas. Este cenário pode levar a impactos inflacionários, conforme mencionado por Nivalde de Castro. A situação atual, com a baixa demanda de energia, contrasta com as previsões futuras.
