O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) está se adaptando às novas realidades do mundo digital. A partir de 2029, o exame começará a avaliar como adolescentes de 15 anos lidam com questões de responsabilidade e crítica em um ambiente mediado por tecnologia e inteligência artificial.
Novo foco na avaliação
Atualmente, a avaliação do Pisa continua a medir habilidades em leitura, matemática e ciências, mas, conforme a demanda dos países participantes, uma nova matriz de avaliação está sendo desenvolvida para incluir questões sobre letramento digital e uso de IA.
Desafios contemporâneos
Luis Francisco Vargas Madriz, psicólogo e especialista em tecnologia educacional, explica que a tecnologia já faz parte da vida dos jovens. A preocupação agora é se eles estão aptos a usar essas ferramentas de forma crítica e responsável. Uma pesquisa recente indicou que 10% das crianças e adolescentes brasileiros já buscaram ajuda de IA para discutir questões pessoais.
Dimensões das novas competências
As novas competências avaliadas serão divididas em quatro dimensões. A primeira envolve a capacidade de acessar e utilizar informações, incluindo a habilidade de usar ferramentas de busca e organizar conteúdos. A segunda se refere à análise e avaliação, onde os estudantes aprenderão a verificar a credibilidade das informações e identificar vieses.
Participação e produção de conteúdo
A terceira dimensão diz respeito à participação e colaboração, focando na comunicação online e interação responsável com a IA. Por fim, a quarta dimensão avaliará a produção crítica de conteúdos, como textos e vídeos, utilizando tecnologias digitais.
Impacto no currículo escolar
As mudanças no Pisa têm o potencial de influenciar currículos escolares globalmente. Nas edições anteriores, habilidades como matemática financeira foram incorporadas ao ensino no Brasil. Madriz ressalta que a inclusão do letramento digital na avaliação exigirá uma mudança na metodologia, com questões relacionadas a situações cotidianas enfrentadas pelos jovens.
