A retatrutida, um medicamento experimental, tem demonstrado potencial para reduzir o peso de indivíduos com diabetes tipo 2 em até 28,3%, segundo um estudo publicado na renomada revista científica Lancet. O achado foi apresentado durante o congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA) nos Estados Unidos e conduzido pela farmacêutica Eli Lilly, sugerindo que a eficácia da substância se aproxima da obtida em cirurgias bariátricas.

Processo de Aprovação e Mercado Ilegal

Embora a retatrutida apresente promessas significativas, ainda é necessário que mais estudos sejam concluídos e que o medicamento passe pelo processo de aprovação das agências reguladoras. Entretanto, a crescente demanda pelo produto no mercado ilegal já é preocupante. Nos primeiros três meses de 2026, a Receita Federal e a Anvisa apreenderam mais de R$ 11 milhões em produtos contrabandeados provenientes do Paraguai, um número que supera as apreensões do ano anterior.

Mecanismo de Ação

O diferencial da retatrutida em comparação a outras opções de emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, é sua ação em três hormônios simultaneamente, ao invés de apenas um ou dois. Essa molécula atua no glucagon, um hormônio que ajuda a aumentar o gasto energético do corpo, permitindo que o paciente queime calorias mesmo em repouso.

Resultados do Estudo

O ensaio clínico que avaliou a eficácia da retatrutida envolveu 930 adultos com diabetes tipo 2. Os participantes foram divididos entre aqueles que receberam doses semanais do medicamento e um grupo que tomou placebo por até 80 semanas. Os resultados mostraram que os voluntários que receberam a dose mais alta perderam quatro vezes mais peso do que aqueles do grupo controle, com mais de 65% dos participantes deixando de ser considerados obesos segundo o Índice de Massa Corporal (IMC).

Benefícios Adicionais

Além da perda de peso, a pesquisa revelou que a retatrutida teve impacto positivo em outras condições de saúde. A substância reduziu em 60,6% a gravidade da apneia do sono e diminuiu em até 73,1% as dores causadas pela osteoartrite no joelho, beneficiando pacientes obesos.

Atenção às Versões Ilegais

Representantes da Eli Lilly alertaram sobre os riscos associados à circulação ilegal da retatrutida, especialmente no Paraguai, onde o produto tem sido promovido em eventos para influenciadores. Autoridades como a Anvisa e a Receita Federal estão atentas e realizam operações de fiscalização para combater o contrabando. Elas destacam que qualquer versão comercializada atualmente sob o nome de retatrutida é ilegal no Brasil e pode representar sérios riscos à saúde dos consumidores.