Um estudo recente encomendado pelo instituto More in Common e realizado pela Quaest trouxe novos insights sobre as opiniões da geração Z no Brasil. A pesquisa sugere que os jovens, com idades entre 16 a 24 anos, apresentam uma visão mais progressista em algumas questões, embora se identifiquem como conservadores em outras.
Conservadorismo entre os jovens
De acordo com a pesquisa, 68% dos homens e 62% das mulheres jovens se consideram conservadores. No entanto, esses números são inferiores aos observados nas gerações mais velhas, indicando que, apesar da identificação conservadora, os jovens adotam uma posição mais intermediária em debates de costumes.
Opiniões sobre homossexualidade e feminismo
Os dados revelam uma juventude com opiniões contraditórias sobre questões sociais. Enquanto cerca de 70% dos homens e 83% das mulheres jovens acreditam que casais gays devem ter o direito de adotar crianças, mais da metade concorda que a homossexualidade deve ser vivida de forma reservada. Esse paradoxo reflete uma complexidade nas visões dos jovens sobre igualdade e identidade.
Desafios ao feminismo
Em relação ao feminismo, menos de 25% dos jovens concordam que homens são superiores às mulheres. Entretanto, quase metade deles endossa afirmações que criticam o feminismo, como a ideia de que ele promove ódio aos homens. Essa ambivalência mostra que, embora os jovens apoiem a igualdade de direitos, podem rejeitar movimentos políticos que a promovem.
Ideologia de gênero e educação
A pesquisa também abordou a percepção sobre a chamada 'ideologia de gênero'. Entre os jovens, 59% acreditam que discutir o tema nas escolas confunde a sexualidade das crianças. Isso indica que, apesar de concordarem com algumas reivindicações de igualdade, muitos preferem que a educação sobre sexualidade permaneça no âmbito familiar.
Bolsonarismo e identidades políticas
Um achado interessante da pesquisa é que a identificação com o bolsonarismo é mais forte entre homens jovens, com 42% se identificando com as ideias do ex-presidente Jair Bolsonaro. Essa identificação ocorre mesmo em um contexto onde os jovens se mostram menos conservadores em outras questões sociais, sugerindo uma complexidade nas suas escolhas políticas.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa da Quaest foi realizada com aproximadamente 10 mil brasileiros entre janeiro e fevereiro de 2025, utilizando entrevistas presenciais para garantir uma representatividade mais diversificada da população. Os resultados contrastam com estudos internacionais que apontam uma geração Z mais conservadora, indicando que as interpretações e metodologias de pesquisa podem influenciar as conclusões.
