O café tem se estabelecido como um importante setor do agronegócio no Acre, principalmente para pequenos produtores. Um levantamento recente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), divulgado nesta segunda-feira (25), revela que 83% dos cafeicultores acreanos operam em propriedades com menos de 20 hectares.
Perfil dos Produtores
Esse percentual coloca o Acre como o segundo estado com maior número de pequenos produtores no Brasil, apenas atrás de Rondônia, que lidera com 87%. Em uma análise nacional, 54% dos produtores de café no Brasil pertencem ao segmento de pequenos negócios, enquanto 38% são de médio porte e apenas 8% são grandes produtores.
A pesquisa também mostra que a média de idade dos pequenos produtores no Acre é de 49 anos, com até 21 anos de experiência no cultivo de café. A maioria dos entrevistados possui o ensino médio completo, mas o setor é predominantemente masculino, com 79% de participação masculina contra 21% de mulheres.
Crescimento da Produção
No ano anterior, a produção de café no Acre alcançou 6.632 toneladas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), resultando em um impressionante aumento de 115,3% em relação ao ano anterior. O levantamento indicou que, em dezembro de 2024, foram plantados 1.931 hectares de café, e a colheita em dezembro de 2025 ocorreu em 1.926 hectares.
Incentivos e Desenvolvimento Local
O Programa Copiai I, que oferece incentivos tributários, gerou R$ 31,1 milhões para os cafeicultores. A pesquisa também revelou que 61% dos produtores entrevistados cultivam café especial, um segmento que vem ganhando destaque no mercado.
Exemplo de Sucesso
Keyty Kety Espíndola, uma produtora da Reserva Extrativista Chico Mendes, exemplifica a união entre sofisticação e preservação ambiental. Ela afirma que a produção de café tem proporcionado dignidade e renda para sua família e a comunidade local. Durante a colheita, até 20 trabalhadores são contratados, impulsionando a economia local.
Reconhecimento e Desafios
Keyty divide sua produção em três categorias: café tradicional, café especial natural e café especial fermentado. Seu café foi reconhecido nacionalmente, alcançando o 11º lugar em um ranking de qualidade e ganhando prêmios estaduais. Apesar do sucesso, ela enfrenta desafios como a falta de irrigação e o acesso difícil por ramais.
Valorização do Produto
Keyty enfatiza que a valorização do café acreano no mercado internacional é significativa, com uma saca vendida localmente por R$ 400 podendo alcançar até R$ 2.000 quando exportada. Ela acredita que a percepção sobre a qualidade do café produzido no Acre está mudando, afirmando: "Já foi provado que o Acre produz café de qualidade. Esse pensamento de que café bom é só o de fora está ficando para trás."
