Em 2022, o Brasil alcançou uma produção recorde de trigo, totalizando 11 milhões de toneladas. Contudo, a expectativa de aumento na oferta interna do cereal não se concretizou, com a recente redução da área cultivada e um aumento nas importações.
Queda na produção e área cultivada
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma diminuição de 12,5% na área destinada ao cultivo de trigo em 2023, reduzindo para 2,14 milhões de hectares. A estimativa de produção é de 6,4 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 19% em relação ao ano anterior.
Desafios enfrentados pelos produtores
Os produtores de trigo, especialmente do Paraná e do Rio Grande do Sul, estão enfrentando uma série de dificuldades. A lavoura de trigo é considerada cara, com preços voláteis que dificultam a garantia de lucros. Além disso, a escassez de crédito e o elevado endividamento agravam a situação.
Impactos climáticos e econômicos
Fatores externos, como a guerra no Oriente Médio, têm elevado os preços do diesel e dos fertilizantes, enquanto o fenômeno climático El Niño pode trazer ainda mais complicações à produção. Esses elementos estão tornando o cultivo de trigo menos atrativo para os agricultores do Sul do Brasil.
Produção mundial em declínio
No cenário mundial, a safra 2026/27 não deve repetir os números recordes anteriores. A produção global deve cair para 819 milhões de toneladas, refletindo uma redução de 25 milhões de toneladas. A China se destaca como uma das poucas que aumentam a produção, enquanto outros grandes produtores enfrentam quedas.
Importações em alta
O Brasil será o quinto maior importador de trigo na safra 2026/27, com uma previsão de 7,4 milhões de toneladas, de acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda). Com um consumo próximo de 12 milhões de toneladas e uma safra reduzida, as importações brasileiras alcançarão os maiores níveis desde 2013.
