Atualmente, o setor de cloud enfrenta um descompasso que poucos abordam abertamente, mas que a maioria dos executivos sente em seu dia a dia. As lideranças continuam entusiasmadas com as inovações, como a aplicação da Inteligência Artificial, que influencia as decisões de infraestrutura a médio e longo prazo.
Mudanças no foco do mercado
No entanto, o cenário mudou consideravelmente em relação a alguns anos atrás, quando o modelo cloud-first era amplamente adotado. O foco atual está voltado para a otimização e previsibilidade, ao invés de um crescimento desmedido e escalabilidade a qualquer custo.
Projeções do Gartner indicam que os gastos globais com nuvem pública devem ultrapassar US$ 723 bilhões em 2025, um aumento superior a 20% em relação ao ano anterior. Apesar disso, muitas empresas ainda não estão satisfeitas com suas implementações de cloud, e até 25% delas podem se frustrar com suas estratégias nos próximos anos devido a diversos fatores.
A busca por eficiência e controle
É evidente que a discussão sobre cloud se transformou, deixando de ser apenas sobre acesso e passando a se concentrar na eficiência. Não basta migrar para a nuvem; é necessário entender os custos envolvidos e se eles são compatíveis com a infraestrutura e os objetivos de negócio.
Relatórios da Flexera revelam que as empresas podem estar desperdiçando um terço de seus investimentos em cloud devido a problemas de governança, visibilidade e otimização. Esse cenário complexo levanta questões sobre a viabilidade das decisões de migração para a nuvem, principalmente em um ambiente econômico instável.
Desafios na América Latina
A situação na América Latina é ainda mais desafiadora, com a volatilidade cambial e diferentes níveis de maturidade digital entre os países. Isso torna a discussão sobre cloud uma questão estratégica, além de aumentar a pressão pela soberania de dados, que exige atenção sobre onde as informações estão armazenadas e sob quais regras operam.
O controle sobre a infraestrutura se tornou uma prioridade, uma vez que terceirizar não significa transferir a responsabilidade. As empresas estão buscando maior autonomia e poder de decisão sobre suas operações, especialmente em relação à otimização de custos e à governança.
O impacto da inteligência artificial
Os investimentos em infraestrutura de cloud estão projetados para crescer 25% em 2025, impulsionados pela demanda por inteligência artificial. Atualmente, menos de 10% da capacidade de nuvem é dedicada a essa tecnologia, mas a expectativa é que esse número chegue a cerca de 50% nos próximos anos, aumentando a pressão sobre a infraestrutura existente.
Essas mudanças significativas transformam a nuvem em um diferencial competitivo, exigindo decisões mais conscientes e responsáveis. O mercado de cloud amadureceu, e a grande questão que se impõe é se as lideranças estão acompanhando essa evolução. Com mais de uma década de observação dessa transformação, é claro que o futuro da tecnologia será moldado por quem souber controlar melhor sua infraestrutura e dados.
