A cirurgiã Angelita Habr-Gama, uma das mais respeitadas referências em coloproctologia no mundo, faleceu neste sábado (30), em São Paulo, aos 92 anos. Internada desde 6 de maio no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, onde trabalhou por mais de 60 anos, ela deixa um legado que revolucionou o tratamento do câncer de reto e abriu portas para mulheres na medicina.
Pioneirismo e reconhecimento
Ao longo de sua carreira, Angelita se destacou por várias conquistas. Ela foi a primeira mulher a se tornar professora titular de uma especialidade cirúrgica na Faculdade de Medicina da USP, a primeira brasileira a ser membro honorário da American Surgical Association e a primeira a receber um prêmio da Sociedade Europeia de Cirurgia. Em 2022, foi incluída na lista dos 2% de cientistas mais influentes do mundo pela Universidade Stanford.
Um legado transformador
Angelita Habr-Gama é amplamente reconhecida por introduzir o protocolo conhecido como "watch and wait" no tratamento do câncer de reto. Essa abordagem inovadora permitiu que pacientes com resposta completa à quimiorradioterapia evitassem cirurgias invasivas, preservando assim seus órgãos. Sua contribuição alterou diretrizes internacionais e beneficiou milhares de pacientes.
Superação de desafios
Nascida em 1933 na Ilha de Marajó, no Pará, Angelita enfrentou diversas barreiras ao longo de sua trajetória. Desde o início, quando seus pais desejavam que ela se tornasse professora, até o ambiente predominantemente masculino nos centros cirúrgicos, ela insistiu em seu sonho de ser cirurgiã. Sua determinação a levou a superar recusa em hospitais e conquistar seu espaço na medicina.
Reflexões sobre a vida
Em 2020, Angelita contraiu Covid-19 e enfrentou momentos críticos na UTI. Contudo, ela sobreviveu e retornou ao trabalho rapidamente, compartilhando uma nova perspectiva sobre a vida. Para ela, cada dia era uma oportunidade de celebração, e ela se dedicava a desfrutar de cada momento.
Legado científico e humano
Angelita Habr-Gama continuou ativa até seus últimos dias, operando e formando novos especialistas na área. Ela fundou a disciplina de coloproctologia no Hospital das Clínicas da USP e presidiu várias sociedades médicas. O Hospital Alemão Oswaldo Cruz expressou profundo pesar pela perda da cirurgiã, enfatizando seu impacto duradouro na medicina brasileira.
