A Conferência de Envelhecimento Saudável da Universidade Stanford trouxe à tona a palestra da psicóloga Alia Crum, que estuda como as crenças podem moldar a realidade. Seu trabalho no Laboratório de Corpo e Mente se concentra no efeito placebo, demonstrando que a mente pode ativar mecanismos de autocura quando acredita na eficácia de um tratamento.
Poder das crenças
Crum enfatizou que a forma como percebemos a vida pode influenciar nosso foco e, consequentemente, os resultados que obtemos. "Nosso modelo mental tem o potencial de nos tornar mais fortes. A velhice pode ser vista como um declínio ou como uma sabedoria adquirida", destacou a pesquisadora.
Ela apresentou exemplos que reforçam essa ideia. Em um estudo realizado no refeitório da universidade, cenouras foram descritas de diferentes maneiras. Quando apresentadas como um prato de baixa caloria, seu consumo foi baixo. No entanto, ao serem apresentadas como uma iguaria com molho cítrico, o consumo aumentou em 45%. Assim, as crenças sobre os alimentos moldam nossas reações corporais.
Impacto do trabalho na saúde
Outro experimento com 84 arrumadeiras de hotel mostrou que muitas delas não se viam como praticantes de exercício físico, apesar de suas atividades serem equivalentes a treinos intensos. Após uma reeducação sobre o valor do seu trabalho, as participantes que mudaram sua visão apresentaram melhorias na pressão arterial e até perda de peso.
Visões negativas e longevidade
A psicóloga também mencionou um estudo da pesquisadora Becca Levy, que demonstrou que visões negativas sobre a velhice podem reduzir a expectativa de vida dos idosos. "Precisamos desconstruir estigmas e estereótipos negativos que nos cercam", concluiu Crum.
Importância do treinamento de força
A fisiologista Stacy Sims complementou a discussão, ressaltando a importância do treinamento de força e resistência para um envelhecimento saudável. Essa prática não apenas mantém as capacidades físicas, mas também apoia o equilíbrio, controle da glicose e funções cognitivas ao longo da vida.
Eixo músculo-osso-cérebro
Sims introduziu o conceito do eixo músculo-osso-cérebro, que explora como o sistema musculoesquelético se comunica com o sistema nervoso central. Essa descoberta revela que músculos e ossos atuam como órgãos endócrinos, liberando substâncias que promovem a saúde cerebral e combatem doenças neurodegenerativas.
