Na central de atendimento da Polícia Militar de São Paulo, um simples pedido de pizza pode ter um significado profundo. Conhecido como um código de emergência, esse pedido foi a chave para que a atendente Suzi Freitas identificasse a necessidade de socorro de uma mulher vítima de violência doméstica.

A ligação que salvou uma vida

Durante uma entrevista, Suzi relatou como, em questão de segundos, percebeu que a mulher estava em uma situação de risco. "Quando elas ligam pedindo pizza, já sabemos que é uma emergência delicada", explicou. A vítima, mesmo nervosa, conseguiu manter a calma e não levantou suspeitas do agressor.

O incidente aconteceu na noite de sexta-feira (23/5), no Jardim São Francisco, zona sul de São Paulo. Ao ligar para o 190, a mulher usou a frase-chave: "Oi, eu gostaria de pedir uma pizza". Suzi, ciente da situação, continuou a conversa para coletar informações, enquanto acionava as equipes policiais.

Risco de vida e esperança

Com um ano de experiência na central, Suzi atendeu inúmeras chamadas, mas destaca a gravidade das solicitações ligadas à violência doméstica. "Quando uma mulher decide ligar, normalmente é porque está em uma situação extrema que pode colocar sua vida em risco", enfatizou.

Contudo, ela também expressou otimismo. "Quando conseguem pedir ajuda, geralmente é porque decidiram mudar suas vidas. Fico feliz em poder ajudar", completou Suzi.

Dados alarmantes sobre violência em SP

Estatísticas recentes indicam que São Paulo registrou mais de 127 mil casos de violência doméstica entre janeiro e abril de 2026, o que equivale a mais de 1.000 ocorrências por dia. Em comparação ao mesmo período de 2025, houve um aumento de 15,5% nos casos. O número de feminicídios também subiu significativamente, indo de 82 para 107.

Treinamento de atendentes

Ao visitar a central, a reportagem também conversou com a sargento Ana Claudia, responsável pela formação dos atendentes. Ela destacou que o treinamento abrange não só protocolos técnicos, mas também empatia e acolhimento, essenciais para lidar com vítimas em situação de vulnerabilidade.

A cabo Maria, que atua na Cabine Lilás, informou que a central recebe diariamente entre 30 mil e 40 mil ligações, com 400 a 500 ocorrências de violência doméstica. Esses números refletem a urgência e a frequência com que mulheres buscam ajuda em situações de risco.

Como pedir ajuda

Se você ou alguém que conhece está em perigo, ligue para o 190 e peça ajuda, mesmo que não possa falar abertamente. Atendentes estão treinados para reconhecer sinais de violência. Além disso, é possível registrar ocorrências na Delegacia Eletrônica da Mulher e usar o aplicativo SP Mulher Segura para acionar a polícia rapidamente.

Denunciar casos de violência é fundamental para salvar vidas. Se você conhece uma mulher que está enfrentando essa situação, não hesite em ajudar.