A Copa do Mundo de 2026 está se aproximando e, com isso, um tema crucial ganha destaque: os gramados. A competição, que será realizada em três países e contará com a participação de 48 seleções, apresenta um desafio inédito para a FIFA, que precisa adequar as infraestruturas esportivas das arenas modernas, muitas vezes voltadas para eventos múltiplos.
Desafios nos Estádios Americanos
Nos Estados Unidos, 11 dos 16 estádios da Copa do Mundo enfrentam a necessidade de adaptação. Ao contrário de outros locais, esses estádios são utilizados ao longo de todo o ano, recebendo jogos da NFL, shows e diversos eventos. Essa utilização intensa torna a preparação para o Mundial muito mais complexa.
Estádios como o MetLife Stadium, o Mercedes-Benz Stadium e o SoFi Stadium precisam passar por adequações estruturais para atender às demandas da FIFA, principalmente em relação às dimensões dos campos e à instalação de gramados naturais. Segundo Heraldo Evans, diretor comercial da Recoma, isso reflete uma tendência crescente em todo o mundo, onde as arenas operam quase diariamente.
Impacto do Calendário Apertado
Com um total de 48 seleções e 104 partidas, o torneio de 2026 será o maior da história, exigindo um nível de manutenção inédito para os gramados. O AT&T Stadium, em Dallas, será o que mais receberá partidas, enquanto o MetLife Stadium sediará a final. A adequação física das arenas também é necessária, com algumas delas precisando modificar setores temporariamente para atender às exigências internacionais.
Rodrigo Santos, coordenador do Centro de Gramados Esportivos e Inovação da Itograss, destaca que a qualidade do gramado deve ser mantida mesmo em condições extremas de uso. Isso demanda planejamento técnico e soluções inovadoras para garantir a estabilidade das superfícies ao longo do torneio.
Transformação das Arenas
A FIFA está atenta a uma mudança no funcionamento das arenas internacionais. Os estádios modernos passaram a ser centros de negócios e entretenimento, o que aumenta a pressão sobre a infraestrutura e a manutenção dos campos. Investimentos em drenagem, irrigação automatizada e monitoramento climático tornaram-se prioritários.
Anderson Rubinatto, CEO da Goolaço, ressalta que a Copa do Mundo exige um planejamento estratégico avançado, não apenas para os grandes estádios, mas também para toda a operação logística que envolve o evento, visando sempre a segurança e a experiência dos torcedores e atletas.
Reflexos no Brasil e no Mundo
No Brasil, clubes também enfrentam calendários apertados e a constante utilização de suas arenas, o que aumenta a exigência sobre a qualidade dos gramados. André Dalto, vice-presidente de administração do Internacional, explica que o sucesso do gramado do Beira-Rio é fruto de um modelo de gestão que combina expertise e rigor técnico.
A Copa do Mundo de 2026 poderá se tornar um marco na infraestrutura esportiva mundial, evidenciando a importância do gramado como um ativo estratégico para o desempenho esportivo e a experiência comercial. Cristiano Dresch, presidente do Cuiabá, conclui que a qualidade do gramado impacta diretamente no desempenho dos atletas e na experiência dos espectadores dentro das arenas.
