O Ministério Público Federal (MPF) em Alagoas deu início a uma investigação sobre o uso indevido de recursos da educação por parte das prefeituras de Campo Grande e Olho D'Água Grande. Os dados revelam que verbas destinadas à educação foram utilizadas para financiar agrotóxicos, peças de tratores e a reforma de uma arena de vaquejada, totalizando cerca de R$ 6 milhões em desvios.

Investigação e Revelações

A investigação foi instaurada após uma reportagem da Folha, que analisou extratos do Fundeb e mais de 30 notas fiscais, além de realizar visitas às duas cidades. O procedimento foi registrado no 10º Ofício da Procuradoria da República em Alagoas e tem como foco o uso inadequado de recursos públicos.

Os desvios identificados incluem gastos com manutenção de veículos particulares de construtoras, mesmo sem a realização de obras na área da educação. Nas cidades investigadas, as condições das escolas são alarmantes, com professores recebendo salários 50% inferiores ao piso nacional e ônibus escolares operando em estado precário.

Controle Familiar e Consequências

A família do político Arnaldo Higino controla as prefeituras, com seu sobrinho Teo Higino (PSB) atuando como prefeito de Campo Grande e sua esposa Suzy Higino (PP) como prefeita de Olho D'Água Grande. A investigação também levanta questões sobre a falta de transparência e responsabilidade no uso de verbas públicas.

Um exemplo emblemático é a arena de vaquejada que leva o nome de Evânio Higino, pai de Arnaldo, que recebeu reformas significativas enquanto a escola municipal com seu nome adia o início do ano letivo por falta de carteiras. A arena foi reformada com recursos do Fundeb, e a obra foi concluída em março, antes de um evento que distribuiu R$ 380 mil em prêmios.

Histórico de Investigação

Arnaldo Higino já possui um histórico de investigações, incluindo uma prisão em 2017 por recebimento de propina. Outros membros da família também foram investigados por desvios de verbas da educação e outras irregularidades. Em 2011, Arnaldo foi denunciado por desvio de água da rede de abastecimento para suas propriedades, gerando desabastecimento em comunidades locais.

Recentemente, ele tentou se reeleger, mas sua candidatura foi impugnada devido a uma condenação por improbidade. Apesar disso, sua influência política persiste, e relatos indicam que ele busca expandir seu domínio para além das cidades que já controla, transferindo seu domicílio eleitoral para uma nova localidade.