Na comunidade Tekohá Ocoy, localizada em São Miguel do Iguaçu, no Oeste do Paraná, jovens indígenas estão transformando suas tradições em arte e resistência. Através de oficinas de fotografia, cerâmica e pintura, crianças e adolescentes da etnia Avá-Guarani estão criando obras que refletem seus grafismos tradicionais e memórias coletivas.

Exposição e Leilão das Obras

As criações dos estudantes serão exibidas e leiloadas em um evento em Foz do Iguaçu, com toda a renda destinada a melhorias no Colégio Estadual Indígena Teko Ñemoingo, que atende cerca de 400 alunos, abrangendo desde o Ensino Fundamental até a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Identidade Cultural em Foco

O professor indígena Gilmar Chamorro destaca a importância da arte como uma forma de contar a história e representar a cultura Avá-Guarani. Segundo ele, muitos jovens têm interesse em expressar sua criatividade, mas carecem de oportunidades para desenvolvê-la.

Oficinas Diversificadas

Ao longo de 2026, os jovens participarão de diversas oficinas, incluindo fotografia, desenho, muralismo, grafite, cerâmica e pintura em tela. Essas atividades são organizadas pela Cidades Invisíveis, que traz artistas e profissionais para colaborar com as lideranças e professores indígenas na condução das oficinas.

Quebra de Estereótipos

O projeto também visa combater estereótipos negativos sobre os povos indígenas, promovendo um maior reconhecimento da cultura Avá-Guarani. Gilmar Chamorro observa que muitas pessoas ainda se surpreendem ao descobrir que indígenas ocupam papéis como professores e artistas.

Conexão com a População Não Indígena

O cacique e professor Luís Baracá ressalta a importância de aproximar a população não indígena da realidade das comunidades. Ele afirma que a verdadeira compreensão da cultura indígena vem do contato direto, seja através da dança, canto ou rituais.