Os investidores brasileiros começam esta quinta-feira com uma agenda intensa de indicadores econômicos no Brasil e no exterior. No centro das atenções estão as novas projeções do Banco Central, os dados de inflação medidos pelo IPCA-15 e a repercussão de uma emissão inédita de dívida brasileira na China.
Ainda pela manhã, o mercado também monitora os números da arrecadação federal e os indicadores de inflação dos Estados Unidos, que ajudam a definir o humor dos negócios ao longo do pregão. No exterior, balanços robustos de gigantes de semicondutores reacendem o apetite por ações ligadas à inteligência artificial.
Agenda do Banco Central e estreia na China
O Banco Central divulga às 8h o relatório de política monetária com novas projeções para a economia. Às 11h, está prevista coletiva de imprensa com o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, e o diretor de Política Econômica, Paulo Picchetti. Em paralelo, o Brasil deve protagonizar a maior estreia em emissão de dívida em iuanes feita por um país estrangeiro na China. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, participou da cerimônia de anúncio dos chamados "panda bonds" pelo Tesouro Nacional e afirmou à Reuters que o país pretende levantar até 5 bilhões de iuanes (cerca de US$ 735 milhões) em sua primeira operação do tipo, tornando-se o quinto emissor soberano a entrar no mercado doméstico chinês em 12 meses.
Inflação no foco dentro e fora do país
O IBGE divulga às 9h os dados de junho do IPCA-15, prévia da inflação oficial. Pesquisa da Reuters aponta expectativa de alta de 0,44% na comparação mensal e de 4,82% no acumulado em 12 meses. Já a Receita Federal apresenta às 11h os números da arrecadação de maio. Nos Estados Unidos, o índice de preços PCE sai às 9h30 e deve mostrar avanço de 0,5% em maio, com taxa anual de 4,1%; para o núcleo, a projeção é de alta de 0,3% no mês e de 3,4% na base anual.
Indicadores da construção
O setor de construção também ganhou destaque com dois indicadores da FGV IBRE. O Índice de Confiança da Construção (ICST) recuou 0,9 ponto em junho, para 91,7 pontos, enquanto a média móvel trimestral caiu 0,6 ponto, para 92,3 pontos. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) subiu 0,85% no mês, acima dos 0,77% registrados anteriormente. No acumulado de 12 meses, o INCC-M chegou a 6,71%, uma desaceleração frente aos 7,19% observados em junho de 2025.
Mercados externos e tecnologia
Os futuros das bolsas de Nova York operam em alta após os resultados da Micron: o Dow Jones Futuro avança 0,24%, o S&P 500 Futuro sobe 0,74% e o Nasdaq Futuro dispara 2,19%. Os fortes balanços e projeções de Micron e Qualcomm ajudam a reacender a onda de valorização das ações ligadas à inteligência artificial. Na véspera, porém, os principais índices americanos fecharam de forma mista, com cautela após a recente onda de vendas no setor de tecnologia. Para Rick Gardner, diretor de investimentos da RGA Investments, a queda recente representa "uma correção saudável", já que muitas dessas ações estavam sobrevalorizadas, e funciona como uma recalibração das expectativas de lucro antes da temporada de balanços de julho.
Câmbio e desempenho do Ibovespa
O dólar comercial encerrou a sessão anterior em alta de 0,29%, segunda valorização seguida frente ao real, em linha com o movimento da moeda americana ante outras divisas emergentes — o índice DXY subiu 0,19%, aos 101,60 pontos. A moeda terminou cotada a R$ 5,202 na venda e R$ 5,201 na compra, com mínima de R$ 5,188 e máxima de R$ 5,222.
O Ibovespa, principal índice da B3, caiu 0,44% na véspera, aos 170.506,66 pontos, após oscilar entre a mínima de 169.668,34 e a máxima de 171.342,05 pontos, com volume financeiro de R$ 27,60 bilhões. Na semana, o índice registrou os seguintes movimentos: segunda-feira (22), alta de 1,21%; terça-feira (23), alta de 0,52%; e quarta-feira (24), queda de 0,44%. No balanço mais amplo, o índice acumula ganho de 1,29% na semana, queda de 1,87% em junho, recuo de 8,87% no segundo trimestre de 2026 e valorização de 6,78% no ano.
