Nos últimos anos, a busca por algoritmos que possam atuar como especialistas em investimentos tem crescido. A promessa de que a inteligência artificial (IA) pode errar menos do que os humanos atrai muitos investidores. Contudo, a eficácia real dessas ferramentas é questionável.

O uso de IA no mercado financeiro

A utilização de ferramentas de IA para decisões financeiras é impressionante. Elas oferecem análises rápidas, gráficos organizados e justificativas econômicas complexas. Muitos investidores, atraídos pela precisão aparente, têm confiado suas escolhas a essas tecnologias.

Teste de carteiras com IA

Para entender melhor a capacidade da IA, foi realizado um experimento utilizando o ChatGPT, que criou três carteiras de investimento para diferentes perfis: conservador, moderado e agressivo, com base em dados de 31 de dezembro de 2019. As sugestões apresentadas pela IA pareciam bem fundamentadas e ajustadas ao cenário econômico da época.

Resultados decepcionantes

No entanto, ao longo dos anos de 2020 a 2025, nenhuma das carteiras conseguiu superar o CDI acumulado, nem mesmo a conservadora. O investidor agressivo, que aceitou mais riscos, terminou com resultados insatisfatórios, abaixo da média dos fundos multimercados.

Mudanças no cenário econômico

Com as mudanças no mercado de 2020 a 2023, a IA ajustou suas recomendações, mas as sugestões de alocação continuaram a ser semelhantes às anteriores. A lógica por trás das carteiras parecia sólida, mas a falta de inovação nas alocações foi notável.

O verdadeiro desafio do investimento

O investimento vai além da simples análise de dados históricos; envolve prever o futuro e compreender a tolerância ao risco do investidor. O perigo da IA no setor financeiro é a ilusão de que a incerteza pode ser totalmente controlada.

Embora a inteligência artificial possa ser uma ferramenta útil para organizar informações e oferecer insights, confundir sofisticação com capacidade preditiva pode levar a frustrações. Muitos investidores podem estar buscando na IA um nível de segurança que ela ainda não pode proporcionar.