Recentemente, retornei à cidade de Guimarães, no Maranhão, que abriga a memória de Maria Firmina dos Reis, a primeira romancista brasileira. Embora tenha nascido em São Luís entre 1822 e 1825, Guimarães se destaca como seu berço literário, com cerca de 10 mil habitantes.
A obra de Firmina e seu impacto
O romance "Úrsula", publicado em 1859, traz à tona a narrativa de personagens negras marcantes, em um contexto de escravidão no Brasil. Antecedendo clássicos como "A Escrava Isaura" e "As Vítimas Algozes", a obra de Firmina é um marco de esperança política na luta pela abolição, que culminou com a Lei Áurea em 1888.
Minha visita a Guimarães foi motivada por vários fatores, incluindo a rica cultura local. Em novembro do ano anterior, recebi a Comenda Maria Firmina dos Reis da Academia Vimarense de Letras, Artes e Ciências, o que enriqueceu minha conexão com a cidade.
Festejos e tradições culturais
Na nova viagem, pude explorar a cidade histórica e participar das festividades de São João. Um dos destaques foi a visita à Associação do Bumba Meu Boi de Zabumba, que há 50 anos preserva um dos ritmos folclóricos mais autênticos do Maranhão.
O Quilombo Damásio
Outro ponto marcante da viagem foi a comunidade do Quilombo Damásio, que representa a resistência do povo negro no Maranhão, sendo a primeira a ser reconhecida oficialmente pelo governo. O quilombo, com origem no século 19, possui um conselho administrativo que gerencia conflitos e a convivência entre os moradores.
Na comunidade, a terra é compartilhada entre cerca de 120 famílias, sendo repassada em usufruto, evidenciando uma forma de gestão coletiva que contrasta com os padrões de propriedade individual comuns na sociedade contemporânea.
Reflexões sobre Guimarães
Ao deixar Guimarães, percebo que conheci um modelo comunitário que desafia a lógica do consumismo atual. Apesar de seu tamanho modesto, a cidade ressoa como um símbolo de resistência cultural e literária, reafirmando a importância de sua história na formação da identidade brasileira.
