O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avaliou o encontro com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, como 'a melhor conversa' durante a cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains, na França, nesta quarta-feira (17). Lula destacou que pela primeira vez notou uma disposição genuína de Zelenski para discutir um cessar-fogo sem imposições prévias, o que, segundo ele, abre possibilidades para uma negociação de paz mais abrangente.

Expectativa de Cessar-Fogo

'Foi a melhor conversa que eu tive com o Zelenski, porque eu já achava, um ano atrás, que essa guerra estava na hora de acabar', comentou Lula. O presidente brasileiro enfatizou que Zelenski está agora disposto a discutir a paz, afirmando que o ucraniano deseja um cessar-fogo para facilitar as negociações. 'Ele quer um cessar-fogo para discutir a paz. Eu acho justo.'

Tensões Anteriores

Este foi o primeiro encontro entre os dois líderes desde o G7 realizado em Kananaskis, no Canadá, em junho de 2025. A relação entre Lula e Zelenski sofreu tensões significativas desde 2023, quando declarações do presidente brasileiro foram interpretadas como favoráveis à Rússia por Kiev. O clima se deteriorou em maio de 2025, quando Lula participou das comemorações do Dia da Vitória em Moscou, fato que levou Zelenski a evitar contatos posteriores.

Desgaste com a Guerra

Em sua coletiva de imprensa, Lula também observou um sentimento de cansaço generalizado em relação à guerra, tanto entre os apoiadores da Ucrânia quanto os que apoiam Putin. 'Todo mundo sabe que os torcedores da Ucrânia já estão cansados, os torcedores do Putin já estão cansados. Então todo mundo quer que pare,' afirmou.

Papel da ONU

O presidente brasileiro enfatizou que a resolução do conflito depende dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — Rússia, China, Estados Unidos, Reino Unido e França. 'Sabe quem pode fazer parar essa guerra? Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU,' disse Lula, ressaltando que já havia conversado com os líderes de todos esses países.

Compromisso com a Mediação

Lula reiterou seu compromisso de retomar as comunicações com os líderes da ONU para impulsionar as negociações. 'Vou voltar a falar outra vez,' afirmou, mencionando que já havia se comunicado com os líderes chinês, russo, americano, britânico e francês. O presidente saiu do encontro com uma expectativa mais positiva, sentindo que há uma maior disposição entre os líderes para buscar soluções.