O governo federal anunciou a renovação da cota de importação de kits de peças para veículos eletrificados sem a cobrança de Imposto de Importação, válida por mais seis meses. A medida, que beneficia em especial a montadora chinesa BYD, poderá intensificar a competição entre esta fabricante e as montadoras brasileiras.
Detalhes da Renovação
A decisão foi tomada pelo Gecex-Camex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) e manterá o limite de US$ 463 milhões, permitido entre junho de 2025 e janeiro de 2026. A partir de 1º de julho de 2026, a alíquota zero será aplicada por seis meses, enquanto acima desse teto, as alíquotas de 35% e 14% permanecem para SKD e CKD, respectivamente. Carros montados não terão cotas.
Reação das Montadoras Tradicionais
A Anfavea, que representa as montadoras locais, considera a renovação das cotas uma derrota e planeja recorrer à Justiça para contestar a decisão. A entidade argumenta que a continuidade das cotas cria um cenário de insegurança regulatória, prejudicando os planos de investimento de R$ 140 bilhões que foram organizados com base em um cronograma anterior.
Articulações e Necessidades da BYD
A renovação da cota ocorre após intensas negociações da BYD com o governo, com a participação do governador da Bahia e reuniões com membros do Ministério do Desenvolvimento. A empresa afirma que a prorrogação é essencial para a transição da sua fábrica em Camaçari, Bahia, e que não se trata de um novo pedido, mas de um entendimento prévio.
Cenário do Mercado de Veículos Eletrificados
Os dados mostram que a BYD já possui 6,8% do mercado total de automóveis no Brasil, com uma participação de 7,1% em automóveis e comerciais leves. Este crescimento ocorre mesmo com a gradual recomposição do imposto de importação e o término das cotas em janeiro.
Implicações Futuras
A disputa em torno das cotas e a decisão recente do governo podem sinalizar uma mudança na política industrial dos veículos eletrificados. As montadoras tradicionais expressam preocupação de que a renovação das cotas incentive outras empresas a adiar seus planos de produção local, o que pode impactar o setor a longo prazo.
