O mercado de galpões logísticos Classe A no Brasil está em plena expansão, impulsionado pelo crescimento do e-commerce e pela alta demanda por imóveis de qualidade. Segundo dados da Log Commercial Properties (LOGG3), apresentados no Log Day 2026, o Brasil ainda tem um grande potencial de crescimento nesse setor.
Área Bruta Locável e Comparação Internacional
Atualmente, o país dispõe de cerca de 175 milhões de metros quadrados de área bruta locável (ABL) logística, dos quais apenas 35,7 milhões de m² são de galpões Classe A, representando apenas 18% do total. Quando comparamos com outros países, a situação se torna ainda mais evidente: o Brasil possui apenas 16 m² de galpões Classe A para cada 100 habitantes, muito abaixo dos 27 m² do México e dos 537 m² dos Estados Unidos.
Demanda e Vacância no Mercado
A oferta de galpões tem sido insuficiente para atender a crescente demanda. O primeiro trimestre de 2026 terminou com uma vacância média de apenas 6,6%, um número considerado histórico. Em 2025, a absorção líquida foi de cerca de 3,62 milhões de m², e para 2026, a expectativa é que essa demanda chegue a aproximadamente 4 milhões de m².
E-commerce como Motor do Crescimento
O crescimento do comércio eletrônico é um dos principais fatores que estão impulsionando a demanda por logística no Brasil. O Mercado Livre, por exemplo, já ocupa cerca de 2,9 milhões de m² em 19 estados, com planos de investir R$ 57 bilhões em 2026. Outras plataformas como Shopee e Amazon também estão expandindo suas operações logísticas no país, com a Shopee ocupando 1,81 milhão de m² e a Amazon cerca de 700 mil m².
Movimento de “Flight to Quality”
Outro fenômeno notável é o chamado “flight to quality”, onde empresas buscam locais mais modernos e eficientes. Aproximadamente 40% das novas locações estão ligadas a esse movimento. Em São Paulo, a participação de galpões Classe A no estoque total cresceu de 56% para 76% entre 2013 e 2026.
Distribuição Regional e Perspectivas Futuras
A região Sudeste continua sendo a principal área para o mercado logístico, com 26,1 milhões de m² de ABL e uma vacância média de 7,1%. Outras regiões, como o Centro-Oeste, estão se destacando com uma vacância de apenas 1,5%, mostrando que a demanda está aquecida e o estoque ainda é limitado. As projeções indicam que a falta de oferta deve persistir nos próximos anos, mesmo com o aumento das entregas previstas para 2026 e 2027.
