As redes sociais se tornaram uma fonte de informações sobre saúde mental para muitos jovens, mas um estudo recente mostra que essas informações podem ser prejudiciais. Realizada e publicada no Journal of Social Media Research, a revisão analisou mais de 5 mil postagens em plataformas como TikTok, YouTube e Instagram, revelando que 56% delas eram imprecisas ou sem fundamento.

Desinformação nas plataformas

O TikTok destacou-se como o principal foco de desinformação, especialmente sobre transtornos como TDAH e autismo, com 52% e 41% de vídeos apresentando erros, respectivamente. A pesquisa sugere que a natureza das plataformas, incluindo algoritmos e moderação, contribui para a propagação dessas informações errôneas.

Impacto no conhecimento dos jovens

Outro estudo com 490 universitários de Nova York constatou que a exposição a esse tipo de conteúdo no TikTok diminui o conhecimento correto sobre o TDAH e aumenta a intenção de buscar tratamentos, mesmo sem evidências científicas que os respaldem. A psiquiatra Luiz Zoldan alerta para o risco de simplificação excessiva dos conceitos de saúde mental nas redes sociais.

Consequências do autodiagnóstico

O autodiagnóstico baseado em informações erradas pode levar a sérios problemas, como aumento da ansiedade, busca de tratamentos inadequados e frustração com intervenções que não funcionam. Zoldan explica que muitos pacientes chegam ao consultório com diagnósticos autoconferidos, o que pode dificultar o trabalho do profissional para esclarecer e reeducar.

Discriminação e patologização

A desinformação também pode resultar em discriminação antecipatória, onde indivíduos se rotulam negativamente sem um diagnóstico formal, adiando a busca por ajuda profissional. Além disso, comportamentos normais podem ser patologizados, levando a diagnósticos errôneos. A diferenciação clínica exige uma análise cuidadosa da intensidade e persistência dos sintomas.

Recomendações para o uso responsável das redes

Os especialistas recomendam cautela ao consumir conteúdos sobre saúde mental nas redes sociais. É importante priorizar informações de fontes confiáveis e profissionais qualificados, evitando diagnósticos rápidos e simplistas. Embora as redes sociais possam ser úteis como porta de entrada para informações, elas não substituem uma consulta médica adequada.