Um estudo recente da teya evidencia que a maioria das iniciativas de transformação corporativa não está entregando os resultados esperados. O relatório, que analisa mais de 20 pesquisas globais, revela que 83% dos executivos admitem que esses programas falham em atingir seus objetivos, pelo menos metade das vezes. Essa contradição é significativa, uma vez que 97% das empresas estão em processo de transformação ou prestes a iniciar uma.
Desafios da Transformação Corporativa
Alexandre Santille, sócio-diretor da teya, destaca que o problema não reside na falta de iniciativas, mas sim na qualidade da liderança dessas mudanças. Ele aponta que, nos próximos anos, será crucial que os líderes tenham clareza em meio à complexidade das transformações permanentes nas organizações.
O relatório identifica cinco desafios principais que se interconectam e que precisam de intervenções deliberadas para serem superados. O primeiro deles é a pressão para uma reinvenção constante, onde 42% dos CEOs acreditam que suas empresas não sobreviverão a uma década se mantiverem seus caminhos atuais.
Pressões e Modelos de Gestão
Além disso, 94% dos CIOs indicam que mudanças fundamentais ocorrerão em ciclos de apenas 24 meses, tornando o planejamento tradicional cada vez menos eficaz. Isso resulta em uma perda global de produtividade estimada em US$ 10 trilhões até 2025, segundo a Gallup.
Outro bloqueio identificado é o desgaste do modelo de gestão tradicional, refletindo uma queda na confiança dos profissionais em suas lideranças. Apenas 6% dos jovens das gerações Z e millennial buscam cargos de liderança, o que gera um risco de descontinuidade na execução das estratégias.
Desafios na Absorção de Mudanças
O terceiro desafio é a dificuldade em gerenciar mudanças, com 70% das organizações enfrentando esse problema, muitas vezes devido ao excesso de iniciativas simultâneas. Isso leva a uma dispersão de prioridades e energia, dificultando a geração de resultados efetivos.
Além disso, o relatório aponta para um descompasso entre aprendizado e execução, onde entre 70% e 90% dos projetos-piloto de inteligência artificial não são implementados. A falta de governança transversal em empresas também contribui para essa ineficiência.
Memória Organizacional e Conclusões
Por último, a erosão da memória organizacional se destaca como um grande desafio, uma vez que a má gestão do conhecimento pode custar até 25% da receita anual das empresas. Profissionais frequentemente gastam tempo buscando informações já existentes ou recriando conteúdos.
O relatório conclui sugerindo que as organizações precisam repensar seus modelos de controle centralizado, fortalecer sua capacidade de absorção e valorizar a memória organizacional como um ativo vital. Essa nova abordagem pode ajudar as empresas a navegar melhor pelas complexidades da transformação corporativa.
