Na última quinta-feira (11), os filhos e a viúva do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman, compareceram ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) para prestar depoimentos sobre as acusações que dizem ter causado um significativo abalo emocional ao político. Os familiares denunciaram a disseminação de notícias falsas feitas pelos deputados Bruno Engler e Nikolas Ferreira, que associaram Fuad a conteúdos impróprios dirigidos a crianças.
Acusações e seus efeitos
A denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) destaca que a campanha de Engler utilizou trechos descontextualizados do livro "Cobiça", escrito por Fuad, para criar uma imagem negativa do ex-prefeito. Além disso, foi mencionada uma falsa responsabilização sobre a exposição de crianças durante o Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), que ocorreu em maio de 2024.
Os depoimentos da família enfatizaram que as associações feitas pelos réus causaram danos não apenas a Fuad, mas também a seus familiares, afetando suas relações sociais e gerando preocupação entre os netos do ex-prefeito. Os jovens, na época adolescentes, enfrentaram constrangimentos ao serem alvo de comentários de colegas em suas escolas.
Pedidos do Ministério Público
O MPMG protocolou a denúncia em julho do ano passado, que também incluiu a candidata à vice-prefeitura de BH, coronel Cláudia Romualdo, e a deputada estadual Delegada Sheila, que se retirou do processo após um acordo de indenização. O MP solicitou que os réus fossem condenados a indenizações por danos morais, com valores a serem destinados a instituições de caridade, além de pedirem a suspensão dos direitos políticos dos acusados.
Defesa dos réus
A defesa de Engler e Cláudia argumentou que a divulgação das informações estava embasada em uma “pauta de costumes”, alegando que buscavam proteger as crianças. Durante a audiência, líderes religiosos foram convocados para testemunhar a favor dos réus, incluindo um padre e um pastor, que defenderam a ação dos deputados como um ato de proteção.
Os vereadores de Belo Horizonte, Irlan Melo e Vile Santos, também depuseram em defesa da campanha de Engler, afirmando que as ações visavam a proteção das crianças em eventos como o FIQ, e destacaram as providências que foram tomadas para garantir a segurança dos participantes.
Testemunhas e adiamentos
Das 17 testemunhas convocadas para a audiência, 15 compareceram. Entretanto, duas não foram localizadas, incluindo o deputado estadual Sargento Rodrigues. O tribunal decidiu que o depoimento dele ocorrerá no sábado (13) após a juíza determinar sua intimação. Durante a audiência, a defesa de Nikolas Ferreira tentou adiar os depoimentos, mas a juíza não acatou o pedido, afirmando que a intimação já era suficiente.
