No 1º Fórum de Reitores Brasil-África, realizado no Centro Internacional de Convenções do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a educação como uma ferramenta essencial para a formação de consciência crítica e a superação de desigualdades. Segundo Lula, a extrema direita vê isso como uma ameaça e tenta restringir a autonomia universitária.

Desafios e Eixos Estruturantes

Durante seu discurso, Lula recordou os cinco eixos estruturantes sugeridos na Cúpula de Líderes Celac-África, ocorrida em março em Bogotá. Os eixos incluem o combate à fome, enfrentamento das mudanças climáticas, transição energética, democratização da inteligência artificial e integração de cadeias produtivas. Para ele, a educação é a chave para enfrentar todos esses desafios.

O presidente alertou que a extrema direita mundial não aceita a autonomia das universidades e busca silenciar professores e estudantes. Ele defendeu que a educação é um motor de emancipação e que o pensamento crítico está alinhado com a luta contra o colonialismo e discriminações diversas.

Inteligência Artificial e Colonialismo Digital

Lula também destacou a importância da educação para o avanço científico e tecnológico das nações. Ele mencionou a inteligência artificial como uma ferramenta estratégica, alertando para o perigo do colonialismo digital, que concentra poder nas mãos de poucos países e empresas. Para ele, a falta de investimentos em infraestrutura digital impede o progresso em áreas críticas como saúde e educação.

O presidente anunciou que o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial destina R$ 30 milhões para projetos de cooperação com a África e América Latina, com ênfase na construção de modelos de IA que incluam as línguas africanas.

Colaboração com Universidades Africanas

Olusola Oyewle, secretário-geral da Associação de Universidades Africanas, reconheceu o apoio do Brasil às universidades africanas desde o primeiro mandato de Lula, mas enfatizou que ainda há muito a ser feito. A necessidade de descolonizar currículos e melhorar a pesquisa nas universidades africanas foi um ponto central em sua fala.

Programa Capes Move África

Durante o evento, foram firmados acordos do programa Capes Move África, que prevê investimentos de R$ 47,4 milhões para a vinda de 2,6 mil estudantes de pós-graduação africanos ao Brasil a partir de 2027. Das bolsas, 1,6 mil serão destinadas a mestrados sanduíche e 1 mil a doutorados sanduíche.

Objetivos do Fórum

O fórum tem como meta consolidar a educação superior como um eixo central nas relações entre Brasil e África, criando uma plataforma para o fortalecimento das integrações acadêmicas, científicas e tecnológicas. O evento inclui painéis temáticos, reuniões bilaterais e workshops, com foco na criação de novas parcerias entre universidades.

Estima-se que, através dessas iniciativas, o Brasil busque aprofundar a colaboração com instituições acadêmicas africanas, promovendo intercâmbios e programas de mobilidade estudantil em áreas estratégicas como agricultura, energias renováveis e ciências humanas.