As associações que representam os mais de 160 mil afetados pelo rompimento da barragem em Brumadinho apresentaram uma contestação no Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento é uma resposta à ação do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que busca suspender as decisões da Justiça de Minas Gerais que garantem o pagamento do auxílio emergencial da Vale aos atingidos.
Na manifestação protocolada, as associações solicitam a inclusão no processo e rejeitam a imposição de uma garantia financeira para o recebimento do Novo Auxílio Emergencial (NAE). O Ibram, em sua petição, argumenta que a natureza alimentar do auxílio dificulta a recuperação de valores pela Vale, caso o benefício seja considerado indevido no futuro.
As entidades, como a Associação Brasileira dos Atingidos por Grandes Empreendimentos e o Instituto Esperança Maria, afirmam que exigir caução de organizações sem fins lucrativos que representam comunidades vulneráveis é uma prática abusiva. Elas ressaltam que essa exigência pode levar à fome e à miséria dos atingidos, que já enfrentam dificuldades extremas devido ao desastre.
Além disso, as associações questionam a legitimidade do Ibram para representar a ação no STF, argumentando que a entidade não representa apenas mineradoras, mas também bancos e escritórios de advocacia. A manifestação aponta que o Ibram não comprovou sua presença em nove estados, condição necessária para a propositura da ação no Supremo.