O Banco Central (BC) alertou que deixar de pagar a fatura do cartão de crédito pode resultar em uma dívida que dobra em apenas oito meses. Esta simulação, baseada em taxas médias de abril, revela um cenário preocupante para muitos brasileiros que enfrentam dificuldades financeiras.
O cenário atual das dívidas
Embora 74,3% das transações com cartões não tenham juros, a situação do crédito rotativo, que representa 2,7% do total de dívidas das famílias, demonstra um aumento. No primeiro trimestre de 2026, a concessão de crédito rotativo atingiu R$ 109,7 bilhões, um crescimento de 9,7% em relação ao ano anterior.
Impacto dos juros altos
Quando a fatura do cartão não é paga, o saldo entra no crédito rotativo, que possui as taxas de juros mais elevadas do mercado. Em abril de 2026, essa taxa média alcançou 432,1% ao ano, aproximadamente 14% ao mês. Além disso, as instituições podem aplicar multas de até 2% e juros de mora de até 1% ao mês.
Regras do Banco Central
O BC estabelece que a dívida pode permanecer no rotativo por apenas 30 dias. Após esse período, se não for quitada, o saldo deve ser parcelado em condições mais vantajosas. Em abril, a taxa média do parcelado era de 188,1% ao ano, cerca de 9% ao mês.
Limites de encargos financeiros
Desde janeiro de 2024, uma nova regra limita o total de juros e encargos a 100% do valor original da dívida. Isso significa que uma fatura de R$ 1.000 não pode gerar mais do que R$ 1.000 em encargos, limitando assim o total da dívida a R$ 2.000.
Orientações para o consumidor
Especialistas alertam sobre a importância de usar o cartão de crédito com responsabilidade. Juliana Inhasz, professora do Insper, destaca que o cartão deve ser visto como uma antecipação do salário e não como uma forma de aumentar a renda. Rafael Schiozer, da FGV, acrescenta que é crucial estabelecer um limite de comprometimento da renda entre 30% e 40% e manter os vencimentos das faturas próximos à data de recebimento do salário.
