A Polícia Federal (PF) concluiu a investigação da Operação Rejeito, resultando no indiciamento de 34 pessoas, suspeitas de compor uma organização criminosa. O relatório, divulgado nesta quinta-feira (25), aponta que o grupo realizava atividades ilícitas relacionadas a projetos de mineração em áreas protegidas em Minas Gerais.

Crimes identificados

O esquema envolvia uma série de delitos, como crimes ambientais, corrupção ativa e passiva, tráfico de influência, lavagem de dinheiro, fraudes administrativas e falsidade documental. Os indiciados, entre eles empresários e um ex-deputado estadual, eram responsáveis por manipulações em licenças ambientais e decisões que favoreciam os interesses do grupo.

Estrutura da organização

A PF descreveu a organização como um corpo estável, com divisão de funções entre seus membros. Os investigadores identificaram núcleos de liderança, administração financeira e articulação institucional que atuavam para garantir vantagens indevidas em empreendimentos de mineração de ferro e manganês. A estrutura criminosa foi fortalecida após a Operação Poeira Vermelha, deflagrada em 2020.

Fleurs Global e Projeto Taquaril

A Unidade de Tratamento Minerário (UTM) Fleurs Global foi apontada como o núcleo do esquema, projetada para processar um volume de minério superior ao licenciado. A PF também destacou o Projeto Taquaril, que visava abastecer a Fleurs com minério extraído de áreas protegidas, planejando operações entre 2024 e 2027.

Corrupção e manipulação

O relatório da PF detalha um padrão de corrupção que envolvia pagamentos a conselheiros e manipulação de documentos em órgãos ambientais. A operação revelou reuniões prévias e pressões para a aprovação de licenças, além de repasses ilícitos a agentes públicos e consultores para garantir a continuidade das atividades da Fleurs Global.

Lavagem de dinheiro e indiciados

A investigação também revelou um esquema de lavagem de dinheiro, com o uso de empresas interpostas para ocultar a origem dos recursos. Entre os indiciados estão Alan Cavalcante do Nascimento, Helder Adriano de Freitas e João Alberto Paixão Lages, todos acusados de liderar a organização criminosa, além de outros envolvidos em atividades ilícitas.