A internet não se inicia nos cabos submarinos, mas sim no território que pertence aos povos originários. Especialistas destacam que, antes de abordar temas como direitos digitais e políticas públicas, é fundamental garantir os direitos desses povos sobre suas terras, cada vez mais cobiçadas devido aos recursos minerais.
Debate no FIB16
No painel intitulado "Da terra à CPU: minérios raros e sustentabilidade na infraestrutura física da internet", realizado durante o 16º Fórum da Internet no Brasil em Belém, a lentidão do Brasil em regular a extração de minerais críticos foi um dos temas centrais. Os especialistas alertaram que a discussão sobre a internet não pode ocorrer sem a demarcação de terras e a proteção dos direitos dos povos originários.
O doutorando Lauro Accioly enfatizou que a exploração de recursos não pode ser feita sem a devida consideração aos direitos territoriais das comunidades. Ele apontou que os impactos da mineração recaem desproporcionalmente sobre populações vulneráveis, enquanto o controle tecnológico permanece nas mãos de poucos países.
Opacidade nas Cadeias de Suprimento
Camila Cristina da Silva, coordenadora do GT de Inteligência Artificial do Lapin, criticou a falta de transparência das grandes empresas de tecnologia em relação às suas cadeias de extração mineral. Segundo ela, essas empresas não mencionam adequadamente a origem dos recursos em seus relatórios de sustentabilidade, o que perpetua um modelo de negócios baseado na falta de informação.
Além disso, a especialista expressou preocupação com projetos de lei que visam ampliar a exploração mineral no Brasil sem a devida consulta à sociedade civil. Ela alertou que essas iniciativas podem reforçar uma lógica colonial, onde os interesses externos se sobrepõem aos direitos locais.