O setor de Tecnologia da Informação (TI) no Brasil deverá apresentar um crescimento de receita de 5,3% até 2026, segundo estudo da Abes, em parceria com a IDC. Este resultado é alarmante, pois é quase 5 pontos percentuais inferior à média global, que é projetada em 10%.
Motivos para o baixo crescimento
Jorge Sukarie Neto, conselheiro da Abes e responsável pela pesquisa, destaca que esta é a primeira vez que o crescimento brasileiro fica abaixo da média mundial. Entre os fatores que contribuem para essa estimativa estão a redução nos investimentos, o déficit fiscal, a inflação persistente e as taxas de juros elevadas, que exigem cortes na Selic pelo Banco Central.
Além disso, conflitos geopolíticos, como os entre Irã e EUA, têm impactado negativamente o preço do petróleo, gerando expectativas de inflação global. Feriados e eventos como a Copa do Mundo também resultaram em uma queda na produtividade, afetando o cenário econômico.
Investimentos em TI para 2026
A expectativa é que os investimentos em TI sejam mais seletivos, focando na eficiência operacional e priorizando iniciativas de automação e modernização de processos. A inteligência artificial se destaca como a principal ferramenta para a transformação digital, visando um melhor retorno sobre investimento (ROI).
Comparativo com 2025
O panorama para 2026 é especialmente desanimador quando comparado ao resultado de 2025, quando o mercado brasileiro de tecnologia cresceu 18,5%, superando a média mundial de 14%. A alta foi impulsionada, principalmente, por investimentos em hardware, que cresceram 20% em relação ao ano anterior.
Os setores que mais investiram em 2025 foram o financeiro, com US$ 9 bilhões, seguido por telecomunicações e serviços, com US$ 8,6 bilhões, além do setor industrial, que investiu US$ 6,9 bilhões. Esses dados consideram apenas gastos com software e serviços, totalizando US$ 35,4 bilhões no Brasil.
Posição do Brasil na América Latina
Quando incluídos os investimentos em hardware, o Brasil acumulou um total de US$ 68 bilhões, representando 38% dos US$ 176,6 bilhões investidos em TI na América Latina, mantendo uma posição de liderança na região. O México, em segundo lugar, corresponde a 24% do total, com US$ 42 bilhões.
Globalmente, o Brasil ocupa a décima posição em investimentos em TI, enquanto os Estados Unidos lideram o mercado com impressionantes US$ 1,8 trilhão, de um total global de US$ 4,2 trilhões.
Descentralização dos investimentos em TI
Sukarie Neto também mencionou que o Brasil está passando por uma descentralização dos investimentos em TI, com uma queda de 3 pontos percentuais na região Sudeste entre 2012 e 2025, passando de 65% para 62%. Em contrapartida, o Sul aumentou sua participação de 12% para 16%, enquanto o Norte e o Nordeste mantiveram suas proporções em 3% e 8%, respectivamente.
O levantamento revela que o Brasil conta com 41.613 empresas no setor de software e serviços, das quais 62,5% são microempresas e 31,8% pequenas empresas. As firmas de serviços dominam o setor, representando 37,6% do total, seguidas pelos distribuidores de tecnologia (33,3%) e desenvolvedores de software (29%).
